Para EUA, Argentina tem que abrir ainda mais seu mercado

A Argentina terá que abrir mais o mercado para poder sair da crise em que se encontra. Essa é a opinião do representante de Comércio dos Estados Unidos, Robert Zoellick, que classifica a situação na Argentina de "extremamente dolorosa". "A Argentina terá que abrir suas fronteiras e obviamente os Estados Unidos defenderão seus interesses", afirmou o norte-americano, que esteve hoje na sede da Organização Mundial do Comércio (OMC).Não é a primeira vez que uma crise em Buenos Aires levanta o desejo dos norte-americanos de conseguir um maior acesso ao mercado argentino como parte da solução. Em agosto do ano passado, as negociações de uma ajuda do FMI ao governo de Fernando de la Rúa deixou claro a intenção de Washington de que uma maior abertura do mercado argentino poderia formar parte da solução para a crise que o país já enfrentava.Na ocasião, o anúncio do pacote do FMI aos argentinos revelou uma suposta ligação entre a ajuda e o início das negociações para a criação de uma zona de livre comércio entre Estados Unidos e Mercosul, fato que deixou o governo brasileiro irritado.O comentário de Zoellick desta vez, porém, não faz referência ao FMI. Mesmo assim, ele alerta que a crise na Argentina colocou o Brasil em uma "situação difícil". "O Brasil precisa ajudar o vizinho a crescer, mas também precisa crescer", afirma o representante norte-americano, lembrando que o País em breve estará envolvido em um processo eleitoral.Apesar das críticas contra a negligência de Washington na crise argentina, Zoellick garantiu que os Estados Unidos irão ajudar tanto o Brasil como a Argentina. "Queremos um Brasil e uma Argentina fortes", disse Zoellick, sem entrar em detalhes de como essa ajuda ocorreria.Ele ainda reconhece que o Mercosul tem um papel político importante na América Latina e que o bloco mudou profundamente a relação entre Brasil e Argentina. "Há dez anos, o relacionamento entre brasileiros e argentinos era mais complicado que o atual", disse.Zoellick garante que tem mantido contato com o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, e que a crise no parceiro do Brasil é um dos temas das consultas. "O mais importante nesse momento é recuperar a Argentina de sua crise", disse.Leia o especial

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