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Para Europa, Brasil está em outra órbita na abertura agrícola

O Comissário de Agricultura da União Européia, Franz Fischler, acusou nesta quinta-feira o Brasil, China e Índia de estarem "em outra órbita" ao propor um acordo de eliminação de subsídios agrícolas para ser debatido na Organização Mundial do Comércio (OMC), na reunião ministerial da próxima semana no balneário mexicano de Cancun.A proposta dos países em desenvolvimento foi apresentada há poucas semanas em Genebra, na OMC. O objetivo é garantir que o mandato negociador, lançado em 2001 em Doha, seja mantido e que a entidade máxima do comércio decida pela eliminação de subsídios às exportações. A proposta também aponta para um maior acesso aos mercados ricos para os produtos agrícolas dos países pobres. "Não posso deixar de ter a impressão de que eles (Brasil e os demais países em desenvolvimento) estão circulando em uma órbita diferente. Se eles quiserem fazer negócio, eles devem voltar à terra. Se decidirem continuar sua odisséia no espaço, eles não chegarão às estrelas nem à lua. Eles simplesmente terminarão com as mãos vazias", alertou Fishler. Segundo o europeu, pela proposta do Brasil, todos os esforços de reforma comercial ficam à cargo dos países ricos, sem exigência aos países em desenvolvimento. "Esse visão extremista tem ainda menos sentido se considerarmos que enquanto a tarifa média agrícola da UE é inferior a 10%, a do Brasil é de 30%", afirmou. No entanto, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nos últimos dez anos os subsídios europeus aumentaram em cerca de 2% ao ano, afetando a competitividade das exportações dos países pobres. Já o Banco Mundial acredita que a abertura agrícola nos países ricos poderá ser um dos maiores estímulos à redução da pobreza no mundo.A ONU também promete apoiar os interesses dos países em desenvolvimento na reunião de Cancun. O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, será representado pelo brasileiro Rubens Ricúpero, diretor da Conferência da ONU para Desenvolvimento e Comércio (Unctad). "Nossa recado será o de que as negociações devem fazer jus à promessa de desenvolvimento que foi dada em Doha, em 2001 ", afirmou Ricúpero.

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