Para europeus, América Latina depende do sucesso do Brasil

O comissário europeu de relações exteriores, Chris Patten, ressaltou, hoje, no Europarlamento, em Bruxelas, a importância do Brasil para a América Latina. Segundo o comissário, se a política econômica do País fracassar influenciará negativamente toda a região. Na avaliação da União Européia (UE), disse Patten, os países latino-americanos têm economias frágeis, de pouca poupança, e por isso, os olhos dos investidores se voltam cada vez mais para a Ásia.O novo governo brasileiro, disse o comissário, está demonstrando equilíbrio ao enfocar a política em investimentos sociais com controle austero das contas públicas. A UE considera como positivo a forma como está sendo conduzido o contingenciamento de R$ 14 bilhões no Orçamento de 2003.Os responsáveis pelas negociações com o Mercosul na Comissão Européia acompanharam de perto o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a solenidade de abertura dos trabalhos no Congresso, quando foi pedido aos governantes eficiência redobrada em relação aos gastos públicos.Outro ponto exaltado por Patten é o programa Fome Zero. Os europeus acreditam que a luta contra a pobreza é o grande desafio do presidente Lula e querem levar este tema para o centro das discussões na reunião ministerial entre UE e representantes latino-americanos, prevista para acontecer na Grécia, no final de março.Sobre a negociação Mercosul-UE, o comissário disse que o Brasil representa 75% do bloco do Sul e "por isso mesmo, o sucesso de sua economia reflete nas demais". Elogiou a iniciativa de Lula e do presidente argentino Eduardo Duhalde de comprometimento para reforçar o bloco, "porque o Mercosul é o sócio natural da Europa". Entretanto, o comissário reconhece que as negociações entre os blocos são "complexas", porque "são duas uniões aduaneiras e o desenvolvimento de alguns temas estão vinculados às negociações multilaterais, que ocorrem em paralelo, no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC)".

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