Para evitar onda protecionista, Brasil reunirá Mercosul

Temendo que países do bloco se fechem com a crise financeira, País convoca encontro em Brasília

Renata Veríssimo, da Agência Estado,

17 de outubro de 2008 | 17h13

Com medo que a crise financeira internacional provoque uma onda protecionista no Mercosul, o Brasil vai comandar uma reunião do bloco na última semana de outubro, em Brasília, para discutir os efeitos da turbulência no comércio dos países do Cone Sul. O encontro ainda está sendo organizado pelo Ministério das Relações Exteriores, mas deve contar com a presença dos ministros da Economia e presidentes do Banco Central, além dos chanceleres. A reunião foi convocada pelo Brasil que tem a presidência pro tempore do bloco. Veja também:Primeiro leilão de empréstimo em moeda estrangeira será na 2ªBanco Central divulga circular sobre leilões de financiamentoConsultor responde a dúvidas sobre crise  Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise  O governo argentino anunciou ontem medidas protecionistas contra produtos importados para resguardar a indústria local durante a crise. Embora a Argentina informe que as medidas são contra os produtos asiáticos que chegam ao País com preços subfaturados, elas devem atrasar os embarques de produtos brasileiros porque as licenças de importações para vários produtos não serão mais automáticas. Isso significa que os exportadores brasileiros terão que aguardar a liberação da aduana argentina para embarcar seus produtos. Além disso, a Argentina ameaçou, na semana passada, adotar o chamado "Mecanismo de Adaptação Competitiva" (MAC), pelo qual os países do Mercosul podem impor cotas para as importações de outro país do bloco. O governo argentino teme uma invasão de produtos brasileiros por causa da valorização do dólar em relação ao real, o que tornou estes produtos mais competitivos em relação aos similares argentinos. Para técnicos do governo brasileiro, a utilização do MAC pode levar a uma enxurrada de pedidos por parte de empresas brasileiras para que o mesmo mecanismo também seja aplicado pelo Brasil, o que poderia provocar "uma batalha protecionista". Vários setores - que enfrentam problemas na relação com a Argentina, como arroz, vinho, autopeças e farinha de trigo - poderiam aproveitar o momento para pressionar o governo brasileiro a adotar o mecanismo. "Neste momento, o pior do mundo seria entrar numa escalada protecionista", declarou uma fonte à Agência Estado. Esta fonte alerta que a Argentina também seria prejudicada já que o Brasil é o principal destino das exportações daquele País. O governo brasileiro quer aproveitar a reunião de ministros para tentar obstruir as barreiras argentinas. A idéia é pavimentar o caminho para facilitar um entendimento durante a reunião bilateral com técnicos dos dois países que ocorrerá no dia 10 de novembro.

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