Para ex-BC, é melhor do que aumentar gastos

A utilização do excedente primário sobre a meta fiscal no fundo soberano internacional, detalhado ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, é uma saída melhor para o governo do que o uso dos recursos com gastos correntes. Esta é a avaliação do sócio-diretor da Mauá Investimentos e ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, após a informação de que o novo instrumento será usado para aquisições de debêntures e títulos representativos de ativos financeiros, aplicação em cotas do fundo fiscal e apoio a projetos que deverão ter rentabilidade mínima equivalente à taxa libor. De acordo com ele, ainda que o ministro não tenha anunciado uma meta formal maior de superávit primário do que a atual, de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB), a possibilidade não deve ser esquecida."Não entendi, pelo pronunciamento, que Mantega tenha descartado o aumento do superávit", comentou Figueiredo. "Ele apenas disse que, para a criação do fundo, a meta será mantida." Apesar de não ter feito o anúncio aguardado pelo mercado financeiro, o ministro disse que será criada uma reserva fiscal, acima de 3,8% do PIB.Já o ex-diretor do BC e sócio da MCM Consultores, José Júlio Senna, tem opinião diferente. Segundo ele, a criação do fundo soberano é um "engodo", pois não é a medida mais adequada para conter uma eventual tendência de valorização do câmbio e conseqüente deterioração das contas externas. "A intenção do governo em evitar a valorização do real ante o dólar é nobre. Porém, o fundo soberano não é a ação mais apropriada. Os recursos utilizados para formar o fundo, em última instância, seriam dedicados ao pagamento da dívida pública, pois o País ainda tem déficit nominal", disse Senna.

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