Para ex-BCs, Brasil ainda tem de avançar

Persio Arida, Gustavo Franco, Arminio Fraga e Henrique Meirelles, além de Alexandre Tombini, veem País melhor para enfrentar crise

O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h05

A estabilidade conquistada nos últimos anos dá ao Brasil condições de enfrentar a atual crise internacional, mas não é uma "tarefa encerrada". A avaliação é consensual entre quatro ex-presidentes do Banco Central (BC): Pérsio Arida, Gustavo Franco, Arminio Fraga e Henrique Meirelles. Ao lado do atual número 1 da instituição, Alexandre Tombini, eles participaram ontem de um evento em São Paulo.

No encontro, promovido pela revista IstoÉ Dinheiro, eles conversaram sobre o processo de estabilização econômica desde o lançamento do Plano Real, em 1994, e listaram os desafios atuais da economia brasileira - entre eles, o aumento da poupança interna e dos investimentos, bem como da produtividade e dos níveis de educação.

Obedecendo à sucessão cronológica no comando do BC, Pérsio Arida, Gustavo Franco e Arminio Fraga lembraram da formulação e dos benefícios do Plano Real para a economia, mas destacaram também o processo de transformação econômica do País, inclusive na gestão da política monetária, que envolvia apenas o controle inflacionário e agora passa também pela gestão cambial e atenção ao crescimento. Meirelles e Tombini fizeram uma análise mais prospectiva para o País.

O nível de juros, considerado ainda alto pelos ex-dirigentes, é justificado em grande medida por uma política fiscal ainda deficiente. Para Arida, que comandou o BC entre janeiro e junho de 1995, a "inconsistência fiscal" está entre os principais desafios do Brasil. Ele lembra que a carga tributária aumentou de 25% quando da implantação do Plano Real para os atuais 37% do Produto Interno Bruto (PIB) e os gastos públicos tiveram crescimento real ao longo do tempo.

Em meio a um cenário de menor pressão inflacionária e necessidade de aceleração do crescimento, Gustavo Franco destacou as discussões em torno da redução da taxa básica de juros (Selic). Ele ponderou, no entanto, que o juro em níveis mais baixos exigirá uma readequação por parte do mercado financeiro e do Tesouro Nacional.

Arminio Fraga acredita que o potencial de expansão da economia brasileira livre de pressão inflacionária estaria entre 4% e 5% ao ano. "Crescimento de 7,5% (2010) não era condizente com a economia brasileira, assim como o de 2% (previsto para este ano) também não é", afirmou.

Henrique Meirelles, que sucedeu Fraga e presidiu o BC durante os dois mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva (2002-2010), acredita que a atual aversão ao risco é parte de um "ajuste saudável" em relação à euforia que o mercado internacional vinha tendo com a temporada de crescimento sustentável do Brasil.

A visão de Tombini. Sobre a crise, os ex-dirigentes avaliam que se trata de um momento delicado e incerto. Mas Tombini, atual presidente do BC, acredita que as perspectivas para a economia brasileira são positivas "nos curto, médio e longo prazos".

Na avaliação dele, os fundamentos do sistema financeiro são sólidos e o cenário é de ampliação dos investimentos com inflação sob controle. Além disso, ele vê geração de emprego, renda em alta e aumento do crédito para consumo e investimentos, além de desonerações tributárias. / BIANCA RIBEIRO, FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, RICARDO LEOPOLDO E BEATRIZ BULLA

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