Para ex-ministro, não era preciso mudar modelo energético

O ex-ministro da Casa Civil Pedro Parente, que presidiu o grupo criado pelo governo Fernando Henrique Cardoso para resolver o apagão de 2001, disse que não era necessária a definição de um novo modelo para o setor elétrico, como está fazendo o governo Lula. "Não era necessária uma mudança tão extensa; poderiam ser feitos alguns aperfeiçoamentos", disse ele numa conferência sobre o setor realizada em São Paulo.O ex-ministro destacou que vê pontos positivos e negativos no novo modelo. Entre os aspectos positivos, ele aponta a redução do risco dos geradores de energia, a recuperação da função no planejamento e a criação de mecanismos para lidar com condições hidrológicas adversas. Do lado negativo, segundo ele, o novo modelo oferece o risco de ocorrer uma sobrecapacidade que seria paga pelo consumidor. Outro ponto inquietante para Parente é concorrência entre empresas privadas e estatais. "O fato de competirem empresas privadas e estatais é preocupante, pois pode abafar a participação do investidor privado", afirmou.Outro problema, segundo ele, é que modelo é voltado para o médio e o longo prazo e esquece do curto prazo. Parente reconhece que a situação não é fácil. "A decisão nesse caso é quem paga a conta", disse ele, referindo-se aos problemas financeiros das distribuidoras. Segundo ele, as alternativas são transferir o ônus para o acionista, para o consumidor ou para o contribuinte.Ele disse que o acionista "está extremamente machucado" e o objetivo é não só fazer com que ele mantenha investimentos no setor, mas também que venha a ampliá-los. Ele afirmou que o consumidor já sofreu bastante com o aumento de tarifas acima da inflação e que o contribuinte muitas vezes não é responsável diretamente pelo consumo, portanto, não deve arcar com o ônus.

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