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Para ex-presidentes do IBGE, mudança na Pnad prejudica órgão

Simon Schwartzman e Sérgio Besserman Vianna ressaltam independência do instituto, mas veem riscos à imagem do IBGE

VINICIUS NEDER / RIO, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2014 | 02h05

Alterações de cronograma de divulgações sempre atrapalham a imagem de órgãos de estatística. A avaliação foi feita por dois ex-presidentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ouvidos pelo Estado ontem, um dia após o órgão responsável pelos principais dados oficiais do País anunciar a suspensão da divulgação da Pnad Contínua, pesquisa que mede, com visitas a domicílio, dados socioeconômicos, como emprego e renda.

Quando essas alterações são feitas em contexto de campanha eleitoral, as consequências podem ser ainda piores, disseram os ex-presidentes.

O sociólogo Simon Schwartzman, presidente do IBGE de 1994 a 1998, destacou a tradição de independência do IBGE em relação ao governo, mas ponderou que alterações no cronograma levantam suspeitas sobre a falta de autonomia do órgão.

"Tradicionalmente, o IBGE sempre foi independente. Mas, quando a suspensão de uma divulgação ocorre em momento político de campanha eleitoral, levanta suspeitas", disse Schwartzman ao Estado, destacando que falava em tese, sem entrar no mérito específico do caso da Pnad Contínua.

O economista Sérgio Besserman Vianna, presidente do IBGE de 1999 a 2003, também lamentou a alteração no cronograma de divulgação de pesquisas. "Não considero a hipótese de interferência política sobre o IBGE, mas lamento a alteração no cronograma."

Segundo o economista, a divulgação de um cronograma prévio, preferencialmente no ano anterior, e seu cumprimento à risca, é fundamental para garantir a independência dos institutos oficiais de estatística, em todos os países.

"O IBGE tem que cumprir a lei, mas cumprir o cronograma é uma regra muito importante", disse Besserman, referindo-se à justificativa dada pelo IBGE para suspender a divulgação da Pnad Contínua.

Besserman disse não duvidar da independência do IBGE porque conhece e já trabalhou com muitos profissionais envolvidos nas mobilizações dos últimos dois dias. Segundo ele, os profissionais são capazes de colocar a estatística e suas pesquisas "acima de tudo".

A decisão de alguns de colocar os cargos à disposição, nesse caso, na visão de Besserman, poderia ter a ver com a avaliação individual sobre custos e benefícios de fazer uma alteração no cronograma.

Já Schwartzman chamou atenção para o fato de a suspensão da divulgação ter gerado discordância entre diretores e a presidente do órgão, Wasmália Bivar, o que poderia sugerir ingerência política.

A situação causa preocupação maior, na avaliação do sociólogo, por causa da reputação da diretora de Pesquisas, Marcia Quintslr. Ela pediu exoneração ainda anteontem, por discordar da suspensão. Schwartzman classificou a pesquisadora como dedicada, competente e respeitada no meio. "A vida dela é o IBGE. É mais uma razão para ficar preocupado. É uma pessoa comprometida com a autonomia do instituto."

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