Para executivos, crise aérea não reduziu fluxo de turistas

A crise aérea que tomou conta dos aeroportos brasileiros não reduziu o fluxo de turistas no País. Essa é a avaliação de executivos que participaram, nesta quarta-feira, da abertura do 13º Workshop CVC, em São Paulo. Guilherme Paulus, presidente da CVC, maior operadora de turismo do Brasil, disse que a crise não chegou a prejudicar suas atividades e que, mesmo os constantes fechamentos do aeroporto de Congonhas, não interferiram nos planos da companhia. "Hoje, cerca de 95% dos nossos vôos saem de Guarulhos. De maneira geral, os atrasos dos vôos regulares interferem pouco no nosso trabalho, pois fretamos os aviões em horários que, em tese, eles estariam parados. Além disso, o vôos são diretos, sem escalas, o que reduz a chance de atrasos", afirmou.Paulus contou que, mesmo com a crise aérea, a CVC conseguiu superar sua meta de 2006, de 1,5 milhão de passageiros transportados, atingindo a marca de 1,6 milhão no ano passado, ante 1,3 milhão de pessoas em 2005. O executivo está otimista para 2007 e, apesar da crise aérea, não revisou para baixo suas estimativas. A empresa prevê embarcar 1,7 milhão de pessoas em seus pacotes aéreos, terrestres e marítimos, no Brasil e no exterior. "Não reduzimos nossas estimativas por causa da crise. Temos outros mercados para trabalhar. Temos sempre que buscar alternativas", disse Paulus.A presidente da Blue Tree Hotels & Resorts do Brasil, Chieko Aoki, também afirmou que sua rede de hotéis não foi prejudicada pelos recentes problemas do setor aéreo. Pelo contrário, a empresa registrou aumento da demanda em hotéis onde os turistas poderiam viajar de carro. "Os hotéis do Sul foram muito bem neste fim de ano. Em Mogi das Cruzes e Angra dos Reis, também tivemos lotação máxima porque são lugares onde as pessoas podem chegar de carro." Chieko Aoki disse que a demanda para o Carnaval está muito aquecida e, aparentemente, as pessoas não estão preocupadas com os atrasos nos aeroportos. "Nosso hotel em Natal já está lotado e o de Salvador também deve fechar o Carnaval com 100% de ocupação. Em Mogi, mais próximo de São Paulo, já estamos com 70%."A presidente da Embratur, Jeanine Pires, afirmou que a crise aérea é reflexo do forte crescimento do volume de passageiros e da expansão do turismo brasileiro. A executiva admitiu que há um estrangulamento no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, onde os constantes fechamentos da pista, por causa do risco de derrapagens em dias de chuva, acabam provocando um efeito cascata de atrasos nos vôos de todo o País.Jeanine disse que existe um estudo no âmbito do Ministério do Turismo, que já foi enviado para a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), com o objetivo de promover a integração da malha aérea nacional e desafogar Congonhas. "Sabemos que existe um estrangulamento. Há questões técnicas, mas a Anac e a Infraero estão aptas a resolvê-las", afirmou. "Temos que encarar esse problema como reflexo do movimento positivo do turismo nacional e considerar que as autoridades vão tomar as devidas providências."

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