Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Para executivos das montadoras, setor chegou ao fundo do poço

Segundo presidentes,o pior já passou; mas não há consenso sobre quando – nem como – será a retomada

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2016 | 06h00

O consenso entre executivos das principais montadoras do Brasil é de que o fundo do poço no setor finalmente foi atingido e que, daqui para frente, não tem como o setor cair mais. “A recuperação está aí, logo adiante”, afirma o presidente da Ford América do Sul, Lyle Watters. “O pior já passou”, acrescenta José Luis Valls, presidente da Nissan América Latina.

A falta de consenso, por outro lado, é de quando será a retomada e em que condições, que já o mercado vendeu 3,8 milhões de veículos em 2013 e este ano não deve passar de 2 milhões de unidades, uma queda perto de 20% em relação a 2015.

Para 2017, as apostas são díspares: vão de manutenção dos números atuais a alta de 14%. O mais otimista é o presidente da General Motors, Carlos Zarlenga, que se fia na volta da confiança dos consumidores, na redução dos juros, no fim da alta do desemprego e nas medidas macroeconômicas que estão a caminho, como a redução dos gastos públicos que ajudarão a impulsionar a economia.

A GM confirma que investirá R$ 13 bilhões no País até 2020, programa que chegou a ser colocado em dúvida em fevereiro, durante visita do presidente mundial do grupo ao Brasil, Dan Amman. O otimismo também tem por base o desempenho do fabricante no País, que será a líder do mercado nacional este ano, posição conquistada apenas uma vez, em 2004, mas após uma ação comercial não sustentável.

A Land Rover, que inaugurou fábrica este ano no Rio de Janeiro, aposta em alta de 5% a 10% nas vendas no próximo ano, enquanto a Volkswagen trabalha com crescimento de 5%, porcentual igual ao previsto pela Nissan e pela Toyota.

Melhora de um dígito, sem definir porcentual, é o que espera o presidente da FCA – Fiat Chrysler, Stefan Ketter. “Não vejo nenhum sinal hoje para uma alta superior a um dígito”, diz ele, cuja previsão coincide com a da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Watters, da Ford, está no grupo que prevê crescimento modesto, mas diz que o importante é estancar a queda. A marca volta a postar no alto luxo e anunciou a importação, a partir de 2018, do Mustang, um ícone da indústria automobilística.

Para presidente da Renault nas Américas, Olivier Murguet, e o gerente de produto da Hyundai, Rodolfo Stopa, 2017 deve repetir os volumes deste ano. Já o presidente da Honda do Brasil, Issao Mizoguchi, declara que, “se o mercado for igual a este ano, já estará bom”.

Cotas. O presidente da Kia Motors do Brasil e da Abeifa (que representa importadores), diz que o governo deve anunciar nos próximos dias medida que vai autorizar a transferência de cotas de importação não utilizadas por algumas marcas para grupos que tenham esgotado suas cotas, caso da própria Kia.

As cotas foram estabelecidas em 2012 para evitar aumento da venda de importados. Cada marca tem o direito de trazer no máximo 4,8 mil veículos sem o imposto extra de 30 pontos de IPI. Depois dessa medida, assim como da crise, a Kia reduziu suas vendas de 80 mil unidades em 2011 para 10 mil previstas neste ano. 

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