Para executivos, importação é temporária

Para executivos brasileiros, a necessidade de importação de etanol dos Estados Unidos pelo Brasil será pontual. "Estamos atravessando um momento de menor produção de cana-de-açúcar, em função de duas safras com clima adverso. Os grandes grupos, porém, já estão investindo em cana para reverter esse processo", afirma Humberto Farias, presidente da Renuka do Brasil, uma das maiores produtoras de açúcar e álcool do País.

O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2011 | 03h06

O consultor e ex-presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Eduardo Carvalho, acredita que as importações brasileiras de etanol estão concentradas no curto prazo e que investimentos em canaviais já estão sendo realizados, principalmente em sua renovação, o que deverá se reverter em maior volume de etanol no médio prazo. "As importações de etanol dos EUA não serão incorporadas ao cotidiano brasileiro", afirma.

Para Plínio Nastari, presidente da Datagro Consultoria, a necessidade de etanol importado pelo Brasil não deverá ser suficiente para impulsionar novos investimentos em produção nos Estados Unidos. Mas, segundo ele, 95% da necessidade de importação de etanol do Brasil será atendida pelos produtores americanos. A Datagro estima que o Brasil importe 1,66 bilhão de litros entre maio de 2011 e abril de 2012. "Nesse mesmo período, o Brasil deverá exportar 1,64 bilhão de litros, mas nem tudo para os EUA", disse.

Nastari afirma que o Brasil se beneficiará do prêmio pago pelo etanol de cana-de-açúcar do Brasil pela Califórnia. "Haverá um swap de etanol. Exportaremos o etanol caro de cana e importaremos o etanol barato de milho", disse. O executivo afirma, contudo, que essa importação do Brasil é temporária e deverá durar apenas umas três safras, o que não deverá impulsionar novos investimentos no setor.

Os Estados Unidos produziram 50,1 bilhões de litros de etanol em 2010 e devem atingir perto de 53 bilhões de litros em 2011. Em 2011, deverão exportar cerca de 3,4 bilhões de litros. Para o Brasil, a expectativa é de exportação de 945 milhões de litros. Em 2011, o Brasil deve entrar para a lista de cinco maiores importadores de etanol americano. O principal importador é o Canadá, com 30% do total, seguido pela Holanda com 18%, Reino Unido com 8%, Índia e Emirados Árabes empatados com 7%. / E.M.

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