Para Fazenda, decisão da Moody’s sobre rating reflete situação passada

Ministério diz que mudança de perspectiva reflete fatores que afetaram o crescimento econômico no 1º semestre e que já estão sendo superados; Dilma evita comentar

Renata Veríssimo, Victor Martins e Laís Alegretti, Agência Estado

09 de setembro de 2014 | 17h14

O Ministério da Fazenda comentou, por meio de nota, a mudança de perspectiva da nota de crédito brasileiro pela agência de classificação de risco Moody's. Para a Pasta, a decisão reflete fatores conjunturais que afetaram o crescimento econômico do País no primeiro semestre. Por isso, o órgão diz que a revisão da perspectiva para o Brasil não condiz com a evolução da economia do segundo semestre. A avaliação é de que os problemas que levaram a percepção pior da agência estão sendo superados. A presidente Dilma Rousseff, questionada durante evento em São Paulo, não quis comentar o assunto.

A Fazenda ainda listou a recuperação internacional mais lenta, problemas climáticos e a menor quantidade de dias úteis como motivos para o baixo crescimento e para a revisão de perspectiva. "A demora na recuperação internacional, com a maioria dos países em marcha lenta, combinada a uma das secas mais intensas da história recente e a menor quantidade de dias úteis no primeiro semestre resultaram num crescimento menor do que o esperado no período", argumentou a Fazenda.

A agência de classificação de risco Moody's revisou a perspectiva do rating Baa2 do Brasil de estável para negativa. Segundo a agência, a mudança se aplica a todas as classes de ratings do governo brasileiro.

A Moody's explicou que os principais determinantes para a revisão da perspectiva do rating foram a redução sustentada no crescimento econômico, que mostra pouco sinal de retorno ao potencial no curto prazo; a deterioração acentuada no sentimento do investidor, o que tem afetado negativamente a formação bruta de capital fixo; e os desafios fiscais que estes obstáculos econômicos impõem, impedindo a reversão da tendência de elevação nos indicadores da dívida do governo. 

Recuperação. O Ministério da Fazenda, que ficou com a missão de comentar o assunto, reforçou, na nota, o discurso de que o Brasil é uma economia sólida e que, já no segundo semestre, iniciou uma trajetória de "gradual recuperação". O entendimento da pasta é de que essa retomada terá continuidade ao longo do próximo ano. Segundo o comunicado, reforçam essa visão indicadores econômicos recentes apontando queda na inflação, aumento da produção industrial, além de um maior número de dias úteis e a perspectiva de recuperação da economia mundial.

"Cabe destacar ainda que a última emissão soberana do Tesouro Nacional é uma evidência de que o Brasil continua contando com a confiança dos investidores internacionais", disse a instituição. A Fazenda ainda destacou o ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) como indicador da solidez e confiança dos mercados internacionais no Brasil, recursos esses classificados na nota como elevados. A pasta ainda observou, como forma de subsidiar a visão de que a economia brasileira segue em ritmo de retomada, que a bolsa brasileira se valorizou em 30% nos últimos seis meses.

"O governo federal está implementando e vai acelerar ao longo de 2015 a execução de um grande programa de infraestrutura, que vai ampliar o crescimento do País e elevar a taxa de investimentos, fundamental para garantir um crescimento forte da economia brasileira nos próximos anos", informou a nota. "A própria Moody's reconhece a solidez e resiliência da economia brasileira, que conta com elevadas reservas internacionais; um perfil de dívida pública de baixo risco e pouca exposição cambial; e um sistema bancário sólido e capitalizado", defendeu.

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