Para Febraban e economistas, crédito vai impulsionar retomada do crescimento
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Para Febraban e economistas, crédito vai impulsionar retomada do crescimento

Em debate na TV Estadão, representantes do setor veem cenário de taxas menores e expansão dos empréstimos

Febraban, Media Lab Estadão
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31 de outubro de 2019 | 13h47

Para representantes do setor bancário, o crédito para pessoas e empresas vai passar por uma expansão no Brasil, o que terá um efeito relevante na retomada do crescimento econômico. Essa é uma das conclusões do debate transmitido pela TV Estadão que contou com a presença de Murilo Portugal, presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban); Roberto Padovani, economista-chefe do Banco Votorantim; e Márcio Nakane, professor do Departamento de Economia da USP.

Após uma retração no auge da crise econômica, em 2016 e 2017, o crédito voltou a crescer no País, principalmente o chamado crédito livre — o que exclui os empréstimos direcionados, aqueles feitos por bancos públicos a setores produtivos específicos. O crédito livre para pessoas físicas teve crescimento de 16% nos 12 meses anteriores a setembro, dado mais recente do Banco Central; para as empresas, a expansão é de 9,3%.  

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O crédito terá um papel fundamental na retomada da economia. Além de financiar o consumo e o crescimento, ele favorece a produtividade do País, porque direciona recursos às atividades mais eficientes
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Murilo Portugal, presidente da Febraban

“Inúmeros estudos demonstram a correlação entre crédito e crescimento. Em uma economia desenvolvida, como os Estados Unidos, o crédito chega a 186% do PIB, enquanto em países subdesenvolvidos esse índice é muito menor. O Brasil está no meio do caminho, com o nível em torno de 47% do PIB”, completa o executivo.

“Podemos projetar com tranquilidade uma expansão do crédito no Brasil. Temos uma situação inédita no País: juros baixos e percepção de risco baixa”, afirma Roberto Padovani, economista-chefe do Banco Votorantim. “Para as pessoas físicas, essa expansão já acontece em ritmo acelerado. Para as empresas, os bancos devem passar a ter mais clientes entre os pequenos negócios, como consequência da Selic e do risco País baixos”, ele diz. “Acho que estamos subestimando o papel que o crédito terá na retomada econômica”, conclui.

Queda nos juros

Os especialistas acreditam que a expansão do crédito será acompanhada por uma queda nas taxas de juros praticadas para pessoas e empresas no Brasil.

Para eles, alguns fatores favoráveis a essa redução já têm sido registrados, como a Selic mais baixa. Outras condições, porém, ainda precisam avançar. “Vários estudos mostram que o nível de juros depende fundamentalmente de fatores como a queda da inadimplência, a maior agilidade na recuperação de garantias de empréstimos não pagos e a menor tributação do crédito”, afirma Márcio Nakane, professor do Departamento de Economia da USP. “Existe um conjunto grande de fatores estruturais que explicam o nível de juros brasileiro, que ainda é alto. Mas, desde que a Selic começou a ser reduzida, as taxas para pessoas e empresas vêm caindo”, ele diz.

Os dados do Banco Central corroboram a afirmação. “Desde outubro de 2016, a Selic caiu 8,75 pontos percentuais e a taxa média de juros no crédito livre para pessoas físicas, que é a mais alta, foi reduzida em 23 pontos percentuais”, afirma Portugal. “Mas a Selic é apenas um dos componentes que afetam o custo dos empréstimos. O imposto sobre o crédito, por exemplo, está entre 13% e 14% [do custo do empréstimo] e não é afetado pela queda na taxa básica de juros”, diz o executivo. “Temos que trabalhar nos fatores estruturais”, afirma.

Fintechs ajudam

Outro fator que contribui para a queda das taxas é o crescimento das fintechs no País, acreditam os especialistas. “As fintechs são uma provocação positiva ao setor. Elas vão aumentar concorrência e somos a favor disso, porque a concorrência leva à maior produtividade e eficiência”, diz Portugal, da Febraban.

Além de trazerem mais competidores para o mercado, as startups ajudam a aumentar o volume de empréstimos, o que deve se acentuar nos próximos anos. “As fintechs ainda oferecem um volume baixo de crédito, mas espera-se que elas comecem a ter um papel mais importante nesse segmento”, afirma Nakane, da USP.

Na avaliação dos bancos, as startups também colaboram na busca por maior eficiência.

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As fintechs têm sido um parceiro do setor, temos nos tornado mais eficientes e reduzido nossos custos administrativos por conta das fintechs
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Roberto Padovani, economista-chefe do Banco Votorantim

“Também espera-se que as fintechs aumentem a competitividade na oferta de crédito, o que deve ajudar na redução das taxas, principalmente a pessoas físicas”, afirma Padovani.

Cadastro positivo

Outro fator que deve melhorar o cenário do crédito no País é o cadastro positivo. A ferramenta, que disponibiliza aos bancos o histórico de pagamento dos clientes, teve aval do Banco Central para começar a operar em outubro, por meio de empresas dedicadas a fornecer esses dados ao mercado.

“O impacto será positivo. Nos Estados Unidos, a implementação desse tipo de cadastro trouxe uma expansão significativa da oferta de crédito: a taxa de aprovação de empréstimos aumentou em mais de 80% e, ao mesmo tempo, a inadimplência caiu”, afirma Portugal. “Os bancos estão trabalhando fortemente para acelerar essa novidade”, ele afirma.

“Com o cadastro, os bancos poderão precificar melhor risco de cada cliente”, explica Nakane. “Os maiores beneficiários dessa mudança são os bons pagadores. Os bancos vão oferecer a esses clientes taxas compatíveis com riscos menores. O mercado como um todo tende a se desenvolver, o efeito é muito positivo”, ele conclui.

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Quanto mais informação você disponibilizar  a quem concede crédito, menor o risco e consequentemente menor a taxa do empréstimo
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Márcio Nakane, Professor de Economia da USP

"Se juntarmos essa maior transparência com o efeito das fintechs, podemos concluir que a competitividade vai aumentar no setor e as taxas serão reduzidas”, completa o especialista. 

A soma de fatores positivos deve resultar na expansão dos empréstimos e no aquecimento da economia, concluem os participantes do debate. “Os bancos brasileiros estão preparados e dispostos a aumentar o crédito no Brasil. E isso já está acontecendo”, conclui Portugal.

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