Reprodução/Google Earth
Reprodução/Google Earth

Para fechar contas, Grécia vai taxar até piscinas

Governo promete aumentar impostos sobre itens de luxo, como iates; no caso das piscinas, a taxa já existia, mas não era cobrada

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S. Paulo

23 de junho de 2015 | 16h20

Para fechar as contas, vale de tudo na Grécia. Até mesmo buscar dinheiro no fundo da piscina. Num esforço de demonstrar aos credores europeus de que Atenas está disposta a adotar medidas, o governo incluiu em seu pacote a garantia de que vai recolher e aumentar os impostos sobre todas aquelas casas que contam com piscinas. 

As taxas já existiam. Mas jamais eram cobradas. Em 2010, um estudo realizado pelo fisco grego concluiu que menos de 2% das casas com piscinas em Atenas declaravam que de fato existiam. No total, cerca de 327 declarações imobiliárias constatavam a piscina, o que implicava num imposto. Mas, usando imagens gratuitas do Google Earth, a constatação do governo foi de que, apenas nos subúrbios ricos da capital, o número total de piscinas chegava a 17 mil num dos países mais quentes da Europa. 

Agora, não apenas o primeiro-ministro Alexis Tsipras promete cobrar o imposto, mas também elevar de 10% para 13% do valor do terreno.  

Essa não é a única promessa. Com um enfoque na elite grega e na necessidade de que não sejam apenas os pobres que paguem pelos ajustes, o governo de extrema esquerda também ofereceu à UE aumentar impostos sobre aviões e helicópteros privados. 

Iates e barcos com mais de dez metros também serão alvos de novos impostos, numa sociedade que tem o mar como parte de suas atividades de recreação. Além disso, o governo estuda pedir uma "contribuição extraordinária" de 5% a 10% de impostos para empresas que tenham lucros acima de 10 milhões de euros.

Para os credores, porém, isso não será suficiente e insistem em uma elevação de impostos sobre o consumo de 11% para 23%, impactando de restaurantes a remédios. O governo insiste em um escalonamento de taxas, com 6% para remédios e livros, 11% sobre jornais, hotéis, restaurantes, água e alimentos, e 23% para todos os demais setores.

Mas o maior desafio tem sido o de cobrar os impostos, mesmo aqueles que já existem. Num esforço da administração local em identificar os evasores, o fisco chegou até mesmo a enviar agentes para as portas de boates de Atenas para registrar as placas de carros de luxo. A "investigação" revelou que pelo menos 6 mil cidadãos da capital tinham carros acima de 100 mil euros. Mas, em suas declarações, apareciam com renda de cerca de 10 mil euros.

Com a nova proposta de fechar o cerco a quem não paga impostos, o governo de Tsipras espera arrecadar 3 bilhões de euros a mais em 2015. No médio prazo, esse valor chegaria a 10 bilhões de euros extras. Hoje, porém, a dívida dos contribuintes com o estado chega a 72 bilhões de euros, um recorde na história do país.

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