Para Fed, ações não aliviaram tensões

?Os esforços dos BCs para aumentar a liquidez contribuíram para melhoras provisórias no mercado de crédito?, disse Bernanke

EFE, O Estadao de S.Paulo

15 de novembro de 2008 | 00h00

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, afirmou ontem que as "ações de política monetária não resolveram as tensões nos mercados financeiros, incluídos os mercados interbancários de fundos".Em uma conferência sobre bancos centrais organizada pelo Banco Central Europeu (BCE) em Frankfurt, Bernanke disse que as medidas adotadas pelas autoridades monetárias e governos melhoraram provisoriamente o funcionamento do mercado de crédito. "Os esforços dos bancos centrais de todo o mundo para aumentar a liquidez, junto com outras medidas adotadas contribuíram para melhoras provisórias no funcionamento do mercado de crédito", disse o presidente do Fed.Ele acrescentou que, "no entanto, a contínua volatilidade dos mercados e recentes indicadores de comportamento econômico confirmam que ainda restam desafios". Por isto, "as autoridades monetárias permanecerão em estreito contato, observarão de perto todas as mudanças e estarão preparadas para darem passos adicionais".O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, também deixou claro que as autoridades monetárias vão manter a linha de cooperação. Em uma ação coordenada, o BCE, o Fed, o Banco da Inglaterra (autoridade monetária britânica) e os bancos centrais de Suíça, Suécia e Canadá diminuíram as taxas de juros em 0,5 ponto percentual no início de outubro. Além disso, os principais bancos centrais do mundo injetaram liquidez adicional em várias moedas nos últimos meses.Esta conferência, que coincide com o décimo aniversário da criação do BCE e da introdução do euro, acontece na véspera da reunião do G-20 , na qual as autoridades querem fixar as regras para a reforma do sistema financeiro mundial. Bernanke e Trichet mostraram satisfação pelo fato de que a cúpula seja global e reúna a países industrializados e emergentes. O presidente do Fed descartou que vá acontecer uma cooperação fiscal, exceto em áreas nas quais há acordos prévios. No entanto, destacou: "Já que enfrentamos a mesma situação global e nossas situações econômicas convergem, acho que aumenta a probabilidade de que haja uma política de convergência, em termos de política fiscal."Bernanke lembrou que China e Estados Unidos "consideram ações fiscais" e "se todo mundo tomar ações juntos talvez sejam mais efetivas que se cada um o fizer separadamente".Bernanke disse que "a atual crise financeira e o arrefecimento econômico global criaram uma ocasião para uma coordenação internacional política sem precedentes".O presidente do Fed lembrou que a causa das turbulências financeiras foi "o final do auge imobiliário americano e das perdas em hipotecas e ativos respaldados por hipotecas de muitas instituições"."A turbulência foi o produto do auge do crédito global, caracterizado por uma apreciação baixa de risco, o endividamento excessivo e uma crescente dependência de instrumentos opacos e complexos", disse Bernanke.

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