Para Fed, Brasil 'desperdiçou oportunidade'

Segundo o Federal Reserve, o País não soube usar o dinheiro fácil do banco central americano de forma eficiente.

O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2014 | 02h03

DALLAS/ BRASÍLIA - O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Dallas, Richard Fisher, afirmou que o Brasil desperdiçou uma "enorme oportunidade" criada pelas políticas de relaxamento monetário nos Estados Unidos. Segundo ele, o País não soube usar o dinheiro fácil do banco central americano de forma eficiente.

Esta não é a primeira vez que Fisher critica a condução da economia brasileira. Em janeiro deste ano, o dirigente afirmou que países como México e Polônia, que usaram o dinheiro barato do Fed para reestruturar suas economias, vão se sair bem no processo de redução de estímulos monetários. Já o Brasil, que usou o dinheiro para ampliar o consumo, terá "tempos difíceis", disse o executivo, na ocasião.

Luiz Awazu Pereira, diretor de Assuntos Internacionais e de Regulação do Banco Central, rebateu, porém, as críticas de Fisher. Ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, disse que faltam dados mais detalhados para que o presidente do Fed de Dallas possa julgar como o Brasil utilizou as condições de relaxamento monetário dos Estados Unidos.

"Estão faltando dados mais detalhados para o presidente do Federal Reserve de Dallas, Richard Fisher julgar como o Brasil utilizou as condições de relaxamento monetário nos EUA", disse. "O Brasil foi prudente, fortaleceu suas reservas internacionais, evitou em 2011e 2012 o excesso de exuberância, assim como agora em 2013e 2014 o de pessimismo."

Awazu defendeu a forma como o Brasil tem atuado diante dos problemas econômicos globais e afirmou que o País tem participado de debates no G-20 sobre os efeitos colaterais de políticas que têm sido adotadas pelos países avançados para resolver seus problemas econômicos.

"Crescemos apesar das turbulências, tivemos entradas importantes de investimento direto estrangeiro, a nossa taxa de desemprego se reduziu e nossos indicadores sociais apresentaram melhora substancial", disse. "Mantivemos a estabilidade de preços e financeira em um período complexo, e sempre desenvolvemos no G-20 discussões construtivas e sem prejulgamento apressado e com serenidade sobre a necessidade de coordenação dos efeitos colaterais dessas políticas dos países avançados."

Crítica. Em um painel de discussão com o presidente do Fed de San Francisco, John Williams, Fisher aproveitou ainda para criticar a atuação do Congresso dos Estados Unidos na política fiscal. "O Fed tem o pé no acelerador, enquanto o Congresso tem o pé no freio", afirmou o dirigente, que tem poder de voto este ano no Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, o comitê de política monetária dos EUA).

Sobre o mercado de Treasuries, os títulos do Tesouro americano, Fisher comentou que esperava que o juro da T-note de dez anos permanecesse acima de 3% durante o processo de redução de estímulos do Fed.

Williams, por sua vez, disse, durante o debate, que provavelmente ainda levará mais de um ano até que o Fed comece a elevar as taxas de juro. "Tudo depende do que acontecerá, mas eu não considero isso (elevação das taxas de juros) apropriado, dado o ponto em que a inflação está, onde o mercado de trabalho está, dados os vários riscos para as perspectivas." / Victor Martins e Stefania Akel, com Dow Jones Newswire

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