Para FGV, economia pode recuar 3% este ano

IBC-Br, indicador do Banco Central que funciona como prévia do PIB, caiu 1,89% no segundo trimestre e reforçou a análise de piora na economia

Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2015 | 02h04

BRASÍLIA - A retração na economia brasileira este ano teve mais uma confirmação ontem, com a divulgação dos números do IBC-Br, indicador do Banco Central que mede a atividade econômica. O índice apontou para uma queda 1,89% na economia no segundo trimestre. No primeiro trimestre, o IBC-Br já havia apontado um recuo de 0,88%. O número oficial do PIB no segundo trimestre será divulgado pelo IBGE na semana que vem.

Todos os meses, o BC também revisa os números antigos, com base em informações mais atualizadas. Com isso, pôde-se perceber ontem que a tendência de queda no PIB já era vista desde o último trimestre de 2014 em relação ao período de julho a setembro do ano passado (-0,45%).

Os números divulgados pelo BC motivaram uma mudança, para pior, nas projeções de economistas para o desempenho do PIB no segundo trimestre. Pesquisa feita com 17 instituições pelo serviço AE Projeções, após a divulgação do IBC-BR, mostra que as estimativas ficaram em queda de 1,2% a 2,1% em relação ao primeiro trimestre. Em relação ao segundo trimestre de 2014, as previsões foram de declínio entre 0,8% e 3,1%.

Em relação ao desempenho do PIB no ano, por ora, o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) estima uma queda 2,2%, além de recuo de 0,1% para 2016. Mas a piora do quadro econômico deverá levar a uma revisão desses números. Para 2015, a projeção será revista para uma recessão de 2,5% a 3%. "A gente sabia que o segundo trimestre teria dados negativo, mas os números do terceiro trimestre estão se mostrando piores (do que o esperado)", disse Silvia Matos, coordenadora técnica do Boletim Macro do Ibre.

O economista chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, acredita que a atividade doméstica continuará em contração nos próximos meses, ainda que de maneira mais branda. "O segundo trimestre é o fundo do poço, mas as quedas vão continuar no terceiro trimestre. Sem dúvida, porém, esta foi a pior queda", salientou ontem, em Brasília. O cenário da instituição é de recuo do PIB de 2,3% este ano e de 1% no ano que vem. Até o encerramento de 2016, o Itaú prevê apenas dados trimestrais negativos, com uma pausa nos últimos três meses no próximo ano, quando deverá ser vista uma estabilidade. /Colaboraram João Villaverde e Francisco de Assis

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