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Para FGV, País já está em recessão

A avaliação é do recém-criado Comitê de Datação de Ciclos Econômicos, da FGV, que adota critérios do NBER, dos EUA

Adriana Chiarini, O Estadao de S.Paulo

28 de maio de 2009 | 00h00

O Brasil entrou em recessão já no terceiro trimestre do ano passado, pelos cálculos do Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace) do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV). Os economistas que compõem o comitê, porém, ainda não determinaram quando o período de contração da economia terminará.A conclusão do Codace não tem base na definição usual no Brasil de que a ocorrência de dois trimestres consecutivos de variação negativa do Produto Interno Bruto (PIB) configura recessão. Os critérios usados no estudo seguiram os do National Bureau of Economic Research (NBER), usados no acompanhamento dos ciclos econômicos nos Estados Unidos.De forma simplificada, por essa ótica, a recessão é vista como o período de pelo menos seis meses, que vai do pico anterior da atividade econômica ao ponto mínimo (vale) seguinte. De acordo com o Codace, o último pico brasileiro se deu no terceiro trimestre do ano passado, pondo fim a um período de 21 trimestres de expansão, iniciado no terceiro trimestre de 2003. Foi o mais longo período de crescimento nos últimos 30 anos.O último vale, portanto, ocorreu no segundo trimestre de 2003. O próximo, que iniciará um novo período de expansão, ainda não foi determinado. "Não há dúvida de que há recessão de, pelo menos, seis meses e não há indicação de que estamos saindo dela", disse o integrante do comitê e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, João Victor Issler. "Os dados são insuficientes no momento para que se faça uma datação de término", ressaltou o vice-presidente do Ibre-FGV, Vagner Ardeo.QUEDA GERALApesar de o período avaliado pelo Codace, oficialmente, do primeiro trimestre de 1980 ao quarto trimestre de 2008, o comitê usa, além do Produto Interno Bruto, uma série de outros indicadores, como os de emprego, vendas, produção e renda, cujos resultados de março já foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por esses outros indicadores, o Codace concluiu que a queda da atividade econômica não ocorreu só na indústria, mas em outros setores. "Depois da queda brusca na produção industrial, outros setores começaram a acompanhar os movimentos negativos", afirmou Issler. O comitê é coordenado pelo ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore e também integrado pelos pesquisadores Dionísio Dias Carneiro (Casa das Garças), Marcelle Chauvet (Universidade da Califórnia), Marco Bonomo (FGV), Paulo Picchetti (FGV), Régis Bonelli (FGV). Apenas Marcelle Chauvet, Issler e Bonelli participaram ontem da entrevista coletiva.Bonelli, no entanto, não foi afirmativo. "Suspeitamos que estamos em recessão", declarou. "Suspeitamos, não. Estamos em recessão", retrucou Chauvet, relatora da apresentação. "Se tivesse alguma dúvida, a gente não teria decretado (o pico no terceiro trimestre de 2008)", disse. "Uma vez que se estabelece o pico e o vale, se define o ciclo. Pode haver crescimento forte do PIB e ainda assim haver recessão."Chauvet observou que a recessão americana atual já atravessa 18 meses e é a mais longa do pós-guerra. Já a Grande Depressão nos Estados Unidos durou 43 meses. Issler observou que o período dessa primeira divulgação do Codace vai até o quarto trimestre de 2008, mas está implícito que o comitê vê continuidade da recessão no primeiro trimestre de 2009. Ardeo explicou que, mesmo que haja uma recuperação neste segundo trimestre, isso não necessariamente significará que passamos a um período de expansão.Segundo o Codace, do primeiro trimestre de 1980 até o quarto trimestre de 2008, a economia passou por sete ciclos de negócios completos - com expansão e contração. Nesses ciclos, a duração média das expansões foi de 10,4 trimestres e a das recessões, de 5,4 trimestres. A maior contração ocorreu entre o terceiro trimestre de 1989 e o primeiro trimestre de 1992. "Nenhuma das quatro recessões ocorridas a partir do período de inflação mais baixa, após 1994, durou mais que cinco trimestres", diz o Codace.Ontem, o comitê fez a sua primeira apresentação pública, desde que foi criado, em 2004. Ardeo contou que não haverá periodicidade na divulgação dos trabalhos e se pronunciará quando tiver "informação relevante, uma contribuição importante a dar". "Estamos dando uma resposta para um pergunta que importa à sociedade brasileira", completou Issler.

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