Para ficar abaixo do teto da meta, IPCA não pode superar 0,86% em dezembro

Índice mensal de inflação teria de ser de 0,30% para repetir inflação acumulada em 2013, de 5,91%

Agência Estado, Daniela Amorim

05 Dezembro 2014 | 11h50

A inflação oficial teria que ficar em, no máximo, 0,86% em dezembro para se manter abaixo do teto da meta estipulada pelo governo, de 6,5% - calcula Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula uma alta de 6,56% nos 12 meses encerrados em novembro. Em dezembro de 2013, a taxa mensal foi de 0,92%.

"Ao longo dos últimos meses, a taxa do IPCA (em 12 meses) está girando em torno de 6,5%. Poucos meses desse ano ficou abaixo disso. Então ao medir a taxa de dezembro, vamos ver se a tendência dos últimos meses vai se comprovar", lembrou Eulina. 

A coordenadora apontou ainda que, para repetir a taxa de inflação acumulada em 2013, que ficou em 5,91%, o IPCA de dezembro teria que vir em até 0,30%. 

No entanto, caso se repita o movimento observado no ano passado, a tarefa será difícil. Em dezembro de 2013, a inflação foi de 0,94%. Tradicionalmente, é um mês de vendas aquecidas, por causa do Natal. E o aumento da procura em relação a demanda favorece a alta da inflação. Novembro do último ano também teve inflação bem semelhante a deste: de 0,54%.

Carnes e energia. Os sucessivos aumentos nos preços das carnes e o encarecimento da conta de energia elétrica resultaram nas principais contribuições para a inflação oficial no ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

As carnes subiram 17,81% de janeiro a novembro, enquanto as tarifas de energia ficaram 16,46% mais caras. Os dois itens tiveram impacto de 0,44 ponto porcentual cada um sobre a alta de 5,58% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado no período.

"Pelo terceiro mês consecutivo, a carne vem impactando o IPCA. São duas questões. A seca que prejudica os pastos, que faz com que o pecuarista compre ração. O gado é mais magro, então não tem quantidade suficiente para abate, a oferta é menor. Além disso, as exportações do Brasil têm aumentado, principalmente, para a Rússia. Então é uma questão de demanda", justificou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

As carnes têm um peso de 2,7% no IPCA, acima de outros produtos importantes na cesta básica das famílias, como o arroz, que pesa 0,6%. 

Quanto à energia elétrica, o peso da energia elétrica é de 2,9%. Após um ano de reduções na tarifa, em 2013, houve reajustes pressionados pela estiagem e pela falta d'água, explicou Eulina.

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