Para Fiesp, crise pode abater indústria a partir de outubro

A atividade da indústria paulista expandiu-se em setembro, mas a crise financeira mundial pode abater esse movimento a partir de outubro, avaliou nesta terça-feira a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A entidade manteve suas previsões para 2008, mas lançou dúvidas sobre o ano que vem. O Índice do Nível de Atividade (INA) do setor cresceu 3,7 por cento em setembro ante agosto, segundo dados com ajuste sazonal. Sem ajuste, houve alta de 1,9 por cento. Frente a setembro do ano passado, o avanço foi de 7,7 por cento. Já o indicador que visa antecipar o comportamento do mês corrente (Sensor) caiu para 50,4 em outubro, o menor patamar desde julho de 2007. Esse índice aproximou-se da marca de 50,0 pontos, que divide contração de crescimento, e teve uma das quedas mais acentuadas da série histórica. "O dado de setembro não apresenta sinais da crise. A crise se agudizou exatamente em setembro", disse Paulo Francini, diretor do departamento econômico da Fiesp. "Já o Sensor chama a atenção... (mostra que) a expectativa positiva não foi substituída por uma negativa, mas desapareceu. Interrompeu-se aquele crescimento contínuo (da atividade). É, sim, um sinal de algum reflexo da crise sobre as expectativas dos agentes." Segundo ele, o INA de outubro deverá mostrar efeitos da crise, mas o crescimento obtido até então deverá garantir que se alcance as previsões feitas pela Fiesp para o ano antes da turbulência. Essas previsões são de 5,4 por cento para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do país e de cerca de 5 por cento para a indústria paulista. Para 2009, Francini preferiu não fazer previsões. Ele comentou que o ano que vem tende a ser pior que 2008, "mas ninguém sabe em qual dimensão". Neste ano até setembro, a atividade industrial paulista registra expansão de 7,8 por cento, a maior variação para este período desde 2004. Em 12 meses, o alta é de 8,1 por cento. CAPACIDADE INSTALADA A Fiesp informou ainda que o nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) na indústria do Estado, considerando os dados com ajuste sazonal, totalizou 77,5 por cento em setembro, ante 75 por cento em agosto e 79,7 por cento em setembro de 2007. "Antes o olhar que se tinha do Nuci era de preocupação por estar muito elevado (gerando pressão inflacionária) e agora a preocupação é para ver como vai se alterar eventualmente negativamente", disse Francini. As vendas reais da indústria tiveram alta de 5,1 por cento em setembro ante agosto, sem ajuste sazonal, e de 5,7 por cento na comparação anual. (Reportagem de Vanessa Stelzer)

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