Para Fiesp, dados da produção industrial do IBGE sugerem cautela

O diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, afirmou que os dados da produção industrial divulgados na sexta-feira pelo IBGE devem ser vistos com cautela - alta de 1,6% em junho ante maio com ajuste sazonal e 6,3% sobre junho de 2004.De acordo com Francini, apesar do crescimento de junho, a expansão acumulada nos últimos 12 meses sugere desaceleração: em dezembro, a alta acumulada estava em 8,3%. Em maio, em 7,3%, e em junho, 6,7%.Outro dado que reforça a visão de que os dados do IBGE devem ser vistos com cautela, segundo Francini, é o fechamento do semestre. Nos seis primeiros meses de 2004, a produção industrial havia crescido 8,3% contra o mesmo período de 2003. Mas ao se comparar o primeiro semestre de 2005 com os seis primeiros meses de 2004, a alta é de 5%.Crescimento desigualO diretor da Fiesp destacou, ainda, que o desempenho da produção foi muito desigual entre os setores da indústria. Por conta do crédito, os bens duráveis tiveram crescimento (com ajuste sazonal) de mais de 8% no segundo trimestre do ano ante o mesmo período de 2004. Já os bens de consumo leve, devido à estagnação da renda das famílias, recuaram 0,9% na mesma base de comparação.A atual tendência da indústria, segundo Francini, é consistente com o crescimento do PIB da ordem de 3%, colocando o Brasil entre os piores resultados de 2005 previstos para os vizinhos Argentina (7,3%), Venezuela (7%), Uruguai (6,2%), e Chile (6%) e ainda mais longe das grandes economias em desenvolvimento: China (9%), índia (6,7%) e Rússia (6%).

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