Para Fiesp e Ciesp, indústria deve crescer 4% em 2005

Diretores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) fizeram uma avaliação pessimista do desempenho do Indicador do Nível de Atividade (INA) de agosto, que teve leve alta de 0,9%, com ajuste sazonal, ante julho, bem como traçaram uma perspectiva ruim para o conjunto das indústrias ao término do ano. Nessas circunstâncias, Ciesp e Fiesp mantiveram a projeção de crescimento da indústria paulista na ordem de 4%, "com certo grau de otimismo", para o encerramento do ano sobre 2004. "O crescimento da indústria será modesto, para não dizer medíocre", opinou o diretor do Departamento de Economia da Fiesp, Paulo Francini.Já o diretor de Economia do Ciesp, Antonio Correa de Lacerda, disse que diante do desempenho da economia mundial, e principalmente do verificado entre países emergentes, o PIB brasileiro teria condições de crescer "pelo menos o dobro" do que deverá atingir ao final do ano, na casa de 3,5%, conforme projeção do Banco Central (BC). "É evidentemente equivocada a visão do BC de trabalhar com um PIB potencial de 3% a 3,5%. Acima disso, o BC entende que há risco inflacionário e coloca toda a política econômica para restringir o crescimento, um erro na nossa visão", analisou Lacerda.Entre as críticas, o tom mais elevado foi direcionado ao patamar elevado do câmbio, com a sobrevalorização do real ante o dólar da ordem de 25% na visão dos dirigentes das entidades industriais. "Em outras vezes que tivemos sobrevalorização do câmbio, tivemos de pagar o preço mais à frente. Neste momento, este preço está sendo postergado pelo excelente momento da economia mundial, mas, com certeza, o pagaremos no futuro", afirmou Francini. Entre os custos a serem pagos, o diretor da Fiesp citou "o forte desestímulo ao investimento".As entidades também criticaram a política fiscal do governo federal e o "conservadorismo dos gastos em relação às receitas obtidas". Segundo Lacerda, o superávit primário gerado hoje no País está acima de 6% do PIB, enquanto os investimentos do governo federal realizados até o momento se posicionam na casa de 20% dos valores orçados. Por fim, criticaram também o patamar de juros reais, na faixa de 14% ao ano, "um desincentivo total à produção".

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