Para Fiesp, ''''quarto trimestre deve vir ainda melhor''''

Setor industrial comemora resultado; ?A galinha, na verdade, era uma águia?, diz presidente da Anfavea

Cleide Silva, Márcia de Chiara, Milton F.da Rocha Filho e Paula Puliti, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2007 | 00h00

Responsável por importante parcela do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o setor industrial, que passou parte do ano reclamando do câmbio e dos juros altos, aposta agora que o círculo de crescimento é consistente. "A galinha, na verdade, era uma águia", diz o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, referindo-se ao efeito chamado por economistas de "vôo de galinha", quando a recuperação tem fôlego curto.A alta verificada no terceiro trimestre superou as expectativas e indica que o crescimento econômico pode passar dos 5% este ano, admite a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "O quarto trimestre deve vir ainda melhor. O que ocorre neste ano supera nossas expectativas", diz o diretor da entidade, Paulo Francini. Para ele, o PIB da indústria de transformação pode chegar a 5,7% no período outubro/dezembro e fechar o ano em 5,5%.Crescimento sustentado atrai investimento, que, por sua vez, é o motor da aceleração econômica, junto com o consumo. Só a indústria automobilística anunciou, nos últimos três meses, mais de R$ 3 bilhões para as fábricas brasileiras, boa parte em aumento da capacidade produtiva. Somado a verbas previstas anteriormente, o total a ser aplicado no País até 2011 está próximo a R$ 15 bilhões, mas novos anúncios vão ocorrer. Na próxima semana, uma fabricante de caminhões anunciará ambicioso plano de expansão.A indústria automobilística está entre os setores que puxam a economia brasileira, com produção recorde de 2,74 milhões de veículos até novembro, volume 13,4% maior que o de igual período de 2006. As vendas internas atingiram nível recorde de 2,2 milhões de unidades, um crescimento de 28,9% ante o ano passado. De janeiro até agora, as montadoras abriram 13,3 mil vagas e hoje empregam 119,6 mil funcionários.O setor, responsável por 18,5% do PIB industrial e por 5% do PIB total, espera encerrar 2007 com produção próxima a 3 milhões de veículos, um aumento de 13,9% em relação ao ano passado. As vendas internas vão crescer 27%, passando de 2,4 milhões de unidades."Se o PIB vai crescer mais de 5% e a indústria automobilística crescerá quase 14%, significa que o setor certamente ajudou a puxar o efeito positivo na economia", diz Schneider. As montadoras esperam continuidade do crescimento do setor em 2008, embora em ritmo menos acelerado, na casa dos 17% nas vendas (2,88 milhões de unidades) e 9% na produção (3,24 milhões). Com isso, ficará perto do limite atual da capacidade produtiva, de 3,5 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Por isso a necessidade de investimentos. Schneider reforça que, para o crescimento econômico continuar consistente, é preciso também investir em infra-estrutura.A Trombini, fabricante de embalagens de papelão, planeja investir R$ 32 milhões em 2008 para ampliar a produção em 15%. Entre 2003 e 2007 foram aplicados R$ 150 milhões. A empresa encerra o ano com aumento de 20% no faturamento (R$ 550 milhões), bem acima da previsão inicial, de 4%.Segundo o diretor da Divisão de Papelão Ondulado, Ricardo Trombini, a empresa usa hoje 95% da sua capacidade instalada. "Estamos comprando máquinas importadas", informa. Cerca de 45% das vendas são para a indústria de alimentos.Para o empresário Antonio Ermírio de Morais, presidente do Conselho do Grupo Votorantim, o crescimento de 5,3% do PIB até setembro "é um resultado muito bom para um País que não saía de baixos crescimentos, como 2,5% ou menos". Num cenário como este, "a economia anda da melhor forma, sempre evoluindo, principalmente na geração de empregos e riquezas para o País."

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