Para Figueiredo, há sinais de progresso gradual na economia

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, disse nesta segunda-feira que já existem sinais de um processo gradual de estabilização do cenário econômico interno. Segundo ele, há um ajuste muito importante em curso nas contas correntes externas, que pode ser observado pelo desempenho da balança comercial.O ajuste não se limita ao superávit comercial, segundo o diretor do BC. Figueiredo disse que outro indicativo desta recuperação é o desempenho dos títulos públicos e da indústria de fundos. Ao ser indagado se as saídas pela CC-5 neste mês de setembro têm perfil semelhante aos dois últimos meses, o diretor disse que as saídas ocorrem dentro da normalidade, mas ele não antecipou números. "Não há nada de anormal", afirmou. Figueiredo evitou responder perguntas sobre o que frustrou as expectativas do BC de usar o viés de baixa ao longo deste mês. Figueiredo disse que sua expectativa é de que as incertezas no cenário interno se dissipem nos próximos um ou dois meses, com a definição da eleição presidencial. Ele acredita numa redução da volatilidade do mercado com a definição do nome do futuro presidente.Sobre a capacidade de o Tesouro Nacional de rolar as dívidas de curto prazo, caso o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, ganhe a eleição no primeiro turno, Figueiredo disse que o Tesouro teve a preocupação, ao longo do último um ano e meio, de ampliar seu caixa para enfrentar cenários adversos. O diretor do BC evitou responder a uma pergunta sobre se não seria mais adequado o uso da arrecadação extra de R$ 1,5 bilhão para abater a dívida do que para novos gastos, dizendo que esta era uma questão que deveria ser dirigida ao Ministério da Fazenda.Figueiredo informou ainda que o mercado tem diminuído a demanda por linhas de exportação porque a oferta de crédito entre os bancos está voltando. "O mercado está conseguindo linhas sozinho", afirmou, dizendo que a baixa demanda nos leilões é um grande final nesta direção. Sobre a possiblidade de aumentar ou reduzir o prazo das linhas ofertadas pelo BC, ele disse que o BC está ofertando o que o mercado pede.Figueiredo disse também que o BC observará a curva dos mercados futuros de petróleo para fazer suas projeções de preço para a commodity nos próximos meses. "Lá está expresso o pensamento do mercado", disse ele, ponderando que o BC não é expert no assunto e tem de se pautar pelo mercado. Ao ser indagado sobre se a valorização do dólar ao longo deste mês poderia alterar novamente a projeção de meta de inflação para este ano, Figueiredo disse que o BC não olha para períodos tão curtos, mas observa uma tendência de médio e longo prazo.

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