Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Para Fitch, Brasil cresce menos que países em situação semelhante

Diretor da agência aponta problema estrutural na economia, que afeta o desenvolvimento do País

Aline Bronzati, Ricardo Leopoldo, O Estado de S. Paulo

27 Maio 2015 | 11h55

O Brasil cresce menos que países com desenvolvimento e ratings semelhantes, na visão de Rafael Guedes, diretor da agência de classificação de risco Fitch Ratings. "A questão do Brasil não é cíclica, mas estrutural. Há um problema estrutural muito sério no País", avaliou, em um debate promovido pela associação Americas Society/Council of the Americas, em parceria com a Câmara Americana de Comércio (Amcham) nesta quarta-feira, 27, em São Paulo.

Sem citar as expectativas para o rating do Brasil, Guedes lembrou que a mudança feita pela Fitch na perspectiva da nota do País, para negativa em abril último, refletiu a busca pelo crescimento a qualquer custo que deteriorou os números do Brasil de maneira forte e rápida. Segundo ele, essa alteração considerou o desequilíbrio macroeconômico local, as expectativas de crescimento para o País de cerca de 2% nos próximos anos e ainda o cenário político.

"A popularidade de Dilma Roussef está muito, muito baixa. Há escândalos acontecendo, na Petrobrás - entramos em construtoras e vamos entrar na Eletrobrás, construções elétricas - e isso tem impactado a confiança do investidor, empresário, consumidor; o aumento do desemprego, menor crescimento do crédito... Isso tudo levando a questionamentos para onde vai a dinâmica do Brasil", comentou o diretor da Fitch.

Lava Jato. O pior momento da Operação Lava Jato, que apura denúncias de corrupção envolvendo a Petrobrás, pode ainda não ter ocorrido, aponta Guedes. 

"Seria ousado dizer que o pior momento da Lava Jato já passou. Com a migração dos escândalos para o setor de energia elétrica, não dá para saber onde a Lava Jato vai terminar". Segundo ele, o "cenário político do Brasil é conturbado, mas estável". 

A operação também impacta a confiança do consumidor, do investidor e ainda tem elevado os índices de desemprego no Brasil. Isso porque, conforme avalia Guedes, além de responsável por projetos, as construtoras são os maiores investidores do País.  

Em relação aos esforços do governo para ajustar as contas, o diretor da Fitch disse que as medidas recentes anunciadas vão na direção de estabilizar a deterioração do crescimento econômico do País. Segundo ele, o pior indicador do Brasil é o seu endividamento. Do lado positivo, ele citou o setor bancário como uma força para o rating local.  

Como a Fitch mudou a perspectiva para o rating do Brasil, de estável para negativa, em abril último, de acordo com Guedes, uma nova revisão deve ocorrer até abril próximo. "Geralmente, as mudanças de rating ocorrem em 12 meses ou até menos".

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