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Para FMI, Brasil não será afetado por turbulência

Diretor do Fundo diz que País é o único da América Latina que está elevando as previsões de crescimento

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2014 | 00h00

O Brasil está ''''protegido'''' dos reflexos da crise imobiliária dos Estados Unidos, pelo menos no curto prazo. Essa é a opinião de Anoop Singh, diretor do departamento de Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI). ''''Não vejo o Brasil particularmente afetado pela crise'''', disse Singh, em evento no Diálogo Interamericano. ''''O Brasil é possivelmente o único país da América Latina que está revisando para cima suas previsões de crescimento.''''Luis Oganes, chefe de pesquisa de América Latina no JP Morgan Chase, compartilhou do otimismo de Singh em relação à economia brasileira. ''''O Brasil é um dos países que vai se sair melhor no novo cenário - os preços das commodities agrícolas continuam subindo, o País é um credor externo e reduziu drasticamente seu endividamento lastreado em dólar'''', disse Oganes. Segundo ele, o JP Morgan revisou para cima a previsão de crescimento do PIB brasileiro em 2007, de 4% para 5% - foi o único país da região que teve estimativa de crescimento revisada para cima.Mas Oganes faz um alerta. Segundo ele, enquanto a contaminação na economia real do Brasil deve ser pequena, há possibilidades de impactos pelo canal financeiro. Para o economista, o Brasil pode ser um dos maiores prejudicados na região pelo aperto de crédito, porque o crescimento do PIB brasileiro se deu em cima de uma grande expansão de crédito.De acordo com Oganes, as taxas cobradas de qualquer empréstimo do banco à América Latina já sofreram um acréscimo de 0,5 a 0,75 ponto porcentual - o que certamente será repassado aos tomadores finais. ''''Veremos um encurtamento dos prazos e encarecimento do crédito, o que pode afetar o crescimento'''', disse. ''''O Brasil está virando um país normal - antes, era afetado sempre por flutuações em taxa de câmbio e financiamento externo, agora será pelo canal de crédito.''''Já o México será mais contaminado pelo canal da economia real, já que mais de 90% de suas exportações se destinam aos EUA, enquanto Chile e Peru sofrerão com a erosão nos preços de commodities metálicas.Colômbia e Argentina, que ainda precisam de financiamento externo para fechar suas contas, vão sentir mais o encarecimento do crédito.Singh ressaltou que a América Latina está bem menos vulnerável ao contágio de crises, em comparação com as últimas turbulências globais de 1997 e 2002, por exemplo. ''''A América Latina construiu vários amortecedores com suas políticas e reservas estrangeiras.'''' Segundo ele, o FMI continua estimando um crescimento da região de quase 5% neste ano e 4% no ano que vem.No entanto, ele alerta para a crescente integração financeira da região com os EUA, que pode ter reflexos caso a crise se prolongue no país. ''''Em fundamentos, a América Latina está bem mais resiliente, com grandes reservas internacionais e taxa de câmbio flexível. Mas, em termos financeiros, está mais vulnerável do que antes.''''Singh ressalta, também o fato de a região ainda estar bem atrás da Ásia em termos de crescimento. ''''Os últimos quatro anos foram muito bons para a América Latina, mas não suficientemente bons, uma vez que ainda estamos com cerca de metade do crescimento da Ásia.''''

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