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Para FMI, classificação de risco contribuiu para instabilidade financeira

Segundo relatório, instituições deveriam eliminar normas que vinculam operações às notas de agências.

Alessandra Corrêa, BBC

29 de setembro de 2010 | 12h56

Para FMI, classificações de risco contribuíram para instabilidade

Um relatório divulgado nesta quarta-feira pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) diz que, durante a crise global a partir de 2008, as classificações de risco soberano contribuíram "inadvertidamente" para a instabilidade financeira.

As classificações de risco são conferidas por agências que avaliam os papéis de dívida emitidos por países, empresas e instituições financeiras e conferem a eles uma nota, de acordo com a probabilidade de cumprirem seus compromissos.

Segundo o relatório Global Financial Stability Report (Relatório sobre a Estabilidade Financeira Global), que teve dois de seus capítulos divulgados uma semana antes da reunião anual do FMI e do Banco Mundial, as autoridades econômicas devem eliminar normas e regulamentos que vinculam estreitamente as decisões de compra ou venda de ativos às classificações, prejudicando assim os que receberem notas piores.

O documento afirma que, como essas classificações estão integradas a várias normas, um rebaixamento pode ter efeitos diretos e de contágio e desestabilizar os mercados financeiros.

Debate

As classificações são levadas em conta pelos investidores na tomada de decidir sobre o investimento em determinado país, empresa ou instituição.

Além disso, com a classificação rebaixada, os empréstimos para os afetados pela mudança ficam mais caros, já que mais juros são cobrados.

O relatório afirma que a dependência das classificações deveria ser reduzida nas normas financeiras, e que as agências deveriam evitar atrasar mudanças de classificação.

No primeiro semestre deste ano, países como Grécia, Espanha, Portugal e Irlanda tiveram suas classificações rebaixadas em meio à crise de confiança provocada por grandes déficits orçamentários e dívida pública.

Bancos comerciais nesses mercados também tiveram suas classificações rebaixadas.

A mudança das notas foi seguido imediatamente por desvalorização do euro e quedas nas bolsas de valores e reabriu o debate sobre o poder das agências de classificação de risco.

"O rebaixamento das classificações de crédito relacionado ao enfraquecimento dos balanços soberanos chamou novamente a atenção para as agências de classificação de risco e suas metodologias", diz o relatório.

Conflitos de interesse

Segundo o FMI, o problema não está na classificação em si, já que em geral as notas são bastante exatas para prever quando um devedor não vai honrar suas dívidas.

No entanto, o Fundo diz que as agências deveriam prestar mais atenção na composição da dívida soberana e dos passivos contingentes, o que poderia aprimorar suas decisões.

O documento cita a preocupação sobre os "conflitos de interesse inerentes aos sistemas de contratação usados pelas principais agências", em que os emissores pagam pela classificação.

O FMI diz, porém, que um modelo em que o pagamento fique a cargo dos investidores também pode provocar conflitos de interesse.

"Por exemplo, os investidores podem pressionar as classificadoras a adiar um rebaixamento, para atrasar vendas forçadas de valores", diz o relatório. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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