Para FMI, crise tem sido 'bênção disfarçada'

Diretor do Fundo diz que países da América do Sul, como Brasil, Chile e Peru, foram beneficiados com a redução no risco de superaquecimento

SANTIAGO, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2011 | 03h08

O diretor do Departamento Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), Nicolas Eyzaguirre, disse ontem que a crescente crise financeira global tem sido uma "bênção disfarçada" para vários países da América do Sul, reduzindo o risco de superaquecimento no Brasil, Chile e Peru.

Ele comentou que muitos desses países tinham políticas monetárias e fiscais para reagir à iminente "tempestade global". "A política monetária, no entanto, precisa ser a primeira linha de defesa", acrescentou ao participar de um seminário no Chile.

O FMI destacou ainda que o uso das moedas de Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul (Brics) em operações internacionais cresceu nos últimos anos e pode aumentar ainda mais daqui para frente, já que todas essas economias possuem importância significativa em termos regionais e até mesmo globais - caso dos chineses.

De acordo com o órgão, o uso de reais em operações com derivativos internacionais aumentou cerca de 50% entre 2004 e 2010, enquanto a utilização da rupia indiana e do rublo russo mais que dobrou. O uso do yuan aumentou cerca de 12 vezes durante o período.

Em 2010, a China respondeu por quase 9% do comércio mundial, mais do que o Japão, que ficou com 4,5%. Além disso, o fluxo comercial chinês deve superar o dos EUA nos próximos cinco anos. Os demais Brics estão conquistando espaço no comércio mundial ou mantendo suas posições - casos do Brasil e da África do Sul -, mas todos estão bastante atrás da China e encontram-se a uma distância significativa de países desenvolvidos, algo que não deve mudar nos próximos anos. Em termos de comércio regional, no entanto, o Brasil teve um crescimento considerável nos últimos dez anos, superando seus parceiros de Brics, com exceção da China.

Segundo o FMI, além do comércio, também contribuem para a internacionalização das moedas emergentes a profundidade dos mercados financeiros domésticos e a liquidez dos mercados externos, a abertura financeira de cada economia e as políticas de cada país para estimular o uso global de sua divisa.

O documento afirma que o interesse em moedas emergentes começou a crescer depois que a crise mundial e as preocupações com o caráter de reserva de valor das principais moedas vieram à tona. O FMI ressaltou também que a concentração de várias funções do sistema monetário internacional em duas moedas, o dólar e o euro, embora seja eficiente, pode aumentar a vulnerabilidade sistêmica aos choques e às políticas dos emissores dessas divisas. / DOW JONES NEWSWIRES

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