Para Fraga, compulsórios não voltarão aos níveis pré-crise

A melhora da economia abre espaço para que os incentivos do governo sejam gradualmente deixados de lado, mas os depósitos compulsórios não voltarão aos níveis anteriores à crise, avaliou o presidente do Conselho de Administração da BM&FBovespa e ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga.

REUTERS

10 de setembro de 2009 | 16h19

"Não creio que o Brasil vá voltar aos níveis de antes... acho que se entende que isso (os níveis altos de compulsórios) era demais", disse Fraga a jornalistas durante evento com profissionais do mercado de capitais.

Ele avalia, no entanto, que os níveis de recolhimento obrigatório vão voltar a subir, atingindo patamares um pouco superiores à média internacional.

Desde a intensificação da crise global, em setembro do ano passado, o nível de depósitos compulsórios, dinheiro que os bancos são obrigados a recolher aos cofres do Banco Central, foi baixado seguidas vezes como meio de irrigar o sistema financeiro e melhorar a oferta de crédito na economia.

Segundo números do próprio BC, foram liberados cerca de 100 bilhões de reais ao sistema.

Para Fraga, a crise mostrou a eficácia desse instrumento como um colchão de liquidez que poderia ser utilizado em momentos de necessidade.

Ele também avaliou que, devido à combinação de variáveis positivas da economia, que ficaram mais evidentes pelo fato de o Brasil estar se saindo melhor da crise do que outros países, a tendência é de que a taxa de juros siga caindo.

"Não vejo porque um país com as características como as do Brasil tem que ter uma taxa de juros tão alta", afirmou.

Fraga disse ainda que o país deve crescer mais que 4 por cento em 2010.

O juro básico brasileiro foi mantido em 8,75 por cento ao ano na semana passada e na ata divulgada nesta quinta-feira o Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou que a Selic deve continuar nesse patamar por algum tempo.

(Por Aluísio Alves; Edição de Daniela Machado)

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