Para Funcex, novo patamar do câmbio fica em torno de R$ 2,88

A Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) acredita que, após o processo de valorização do real iniciado em março, a taxa de câmbio encontrou um novo patamar, em torno de R$ 2,88, taxa nominal média do mês de junho. A conclusão, contida no Boletim Funcex de Comércio Exterior, levam em conta o fato de a taxa ter sido apenas 2,45% abaixo da média de maio.Levando-se em conta a inflação brasileira e a dos Estados Unidos no período, a taxa de câmbio real valorizou-se apenas 0,61%, por conta sobretudo da deflação de 1,16% do IPA-DI.A Funcex aposta que o desempenho das exportações brasileiras no segundo semestre do ano será muito mais fraco do que nos seis primeiros meses de 2003. Ainda assim, e considerando-se os números preliminares de junho, o País caminha para registrar um superávit comercial de US$ 18 bilhões no ano. Se mantidas as médias de exportações das duas primeiras semanas de julho, a balança mensal fechará com saldo positivo de US$ 1,9 bilhão. O valor é inferior aos registrados em maio e junho, mas superior ao verificado em julho de 2002, de US$ 1,195 bilhão.Mesmo com o câmbio mais valorizado, as vendas externas cresceram 40% em junho sobre o mesmo mês do ano passado. Em termos de volume, o crescimento foi de 42,3% na mesma base de comparação, puxando a alta do primeiro semestre para 26,5%. Já as importações, na outra ponta da balança, registraram uma queda de volume de 7,44% no primeiro semestre, por causa da baixa atividade interna e perda da competitividade dos produtos importados provocada pela desvalorização do dólar frente ao real. Em valores, a queda foi de 3,44% no mês, na mesma base de comparação. O baixo nível de investimento doméstico refletiu sobretudo as compras externas de bens de capital, que caíram 30,16% no semestre. As importações de bens de consumo de bens de consumo duráveis e não-duráveis recuaram 14,5% e 8,03%, respectivamente, resultado do deprimido consumo interno. A Funcex ressalta que a queda no ritmo de crescimento das vendas externas no segundo semestre resulta do fato de a base de comparação (primeiro semestre de 2002) dos seis primeiros meses de 2003 ser muito baixa, já que houve retração generalizada dos fluxos de comércio no primeiro semestre de 2002 (atraso nos embarques de soja e início das preocupações eleitorais). Além disso, neste ano, os embarques de soja foram antecipados, refletindo positivamente a balança da primeira metade de 2003.A taxa de câmbio real efetiva, medida em relação a uma cesta de moedas de 13 países ponderados conforme suas participações na corrente de comércio do Brasil, valorizou-se 0,67% em junho em relação a maio. Em relação a junho do ano passado, o ganho acumulado é de 9,04%.

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