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Ed Ferreria/Estadão
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Para garantir abastecimento, maior risco de apagão

Está em estudo reduzir critérios de segurança para garantir o abastecimento, que incluiria uma maior transferência de energia de uma região a outra

Anne Warth, O Estado de S. Paulo

07 de março de 2015 | 06h00

BRASÍLIA - O governo avalia reduzir os critérios de segurança do setor elétrico para garantir o abastecimento no País neste ano. A medida aumentaria a quantidade de energia que pode ser transferida de uma região para outra. Por outro lado, elevaria a vulnerabilidade do setor a raios e incêndios, que podem originar apagões. Os estudos serão feitos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e pela Agência Nacional de Energia Elétrica, segundo confirmou o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, ao ‘Broadcast’, serviço em tempo real da ‘Agência Estado’.

“Pedimos um estudo para avaliar os custos e os benefícios dessa medida para então tomarmos uma decisão”, afirmou o ministro. A redução dos critérios de segurança do sistema de transmissão teria como objetivo abastecer a Região Sudeste, que tem o maior consumo no País, e seria aplicada entre agosto e setembro, caso as chuvas nos próximos dois meses sejam insuficientes para garantir o suprimento ao longo do ano.

Especialistas consideram que a operação tem um risco muito elevado. “Estamos trocando o risco de racionamento pelo de apagão”, disse um especialista que prefere não se identificar. “É como dirigir um carro sem estepe. Uma hora você pode ficar na mão”, comparou outro. 

Desde 1999, o sistema de transmissão brasileiro segue um critério internacional de segurança, conhecido como “N-1”. Isso significa que sempre existe uma linha reserva, à disposição do ONS, caso uma outra linha paralela deixe de funcionar. Essa operação limita a quantidade de energia que pode ser transferida, mas eleva a confiabilidade do sistema.

O melhor exemplo é o linhão Norte-Sul, composto por três linhas paralelas que atravessam Goiás, Tocantins e Maranhão.

Hoje, o linhão tem uma capacidade de transmissão limitada a 5.100 megawatts (MW). Nessa configuração, duas linhas transferem energia do Norte e Nordeste ao Sudeste, enquanto uma fica de “back-up”. Caso um raio atinja uma delas, a terceira automaticamente entra em operação, sem que haja um apagão. Na nova configuração, o governo usaria todas as três linhas para enviar energia ao Sudeste, sem linha de reserva. 

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O sistema ficará menos confiável, mas pode ser que o custo-benefício compense o aumento do risco - Edvaldo Santana, ex-diretor da Aneel
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Risco. Nesse cenário, caso um incêndio atinja uma das linhas, todo o linhão Norte-Sul cairia imediatamente, o que poderia causar um apagão de grandes dimensões em diversos Estados. Em 4 de fevereiro de 2014, um curto-circuito atingiu duas das três linhas do sistema, o que causou um blecaute de quase uma hora em 11 Estados das Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além do Distrito Federal. Se o problema tivesse atingido apenas uma das linhas, o apagão não teria acontecido.

Para o coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da UFRJ, Nivalde de Castro, com a medida, o governo conseguiria poupar água dos reservatórios das usinas do Sudeste nos meses de seca e transferir a energia excedente produzida por hidrelétricas do Norte e eólicas e térmicas do Nordeste para São Paulo e Rio de Janeiro. “Isso serviria para evitar um racionamento”, afirmou.

“Todo o sistema ficará menos confiável, mas pode ser que o custo-benefício compense o aumento do risco”, disse o ex-diretor da Aneel Edvaldo Santana.

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