Para garantir crescimento, PIB tem que ser forte agora, diz IBGE

O Produto Interno Bruto (PIB) terá que ser forte no quarto trimestre para garantir o crescimento da economia brasileira no ano, na avaliação feita por Roberto Olinto, coordenador de contas trimestrais do IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), em entrevista exclusiva ao site AE Financeiro, da Agência Estado. Ele evitou fazer projeções e não quis comentar a possibilidade de o PIB fechar 2003 com desempenho negativo, mas disse que há uma análise objetiva para o período. ?A comparação do quarto trimestre deve ser feita com o último trimestre de 2002, que foi alto. Os quatro trimestres do ano passado eu já conheço e sei que (o PIB) foi alto, sustentado principalmente pelos dois últimos trimestres. Isto exige que o fechamento do quarto trimestre tenha um desempenho também grande. Olhando o número, vai ter que ter um quarto trimestre bastante forte?, avaliou.Olinto disse ter dificuldade em traçar um quadro para os três últimos meses do ano porque o comportamento dos dados é antagônico, como, por exemplo, queda do consumo das família versus elevação das exportações. ?A mensuração é muito complicada. Há fatores que induzem a pensar que podemos ter um crescimento, mas quantificar esse crescimento como excepcional, eu não esperaria?, disse.Segundo ele, os números divulgados hoje, de crescimento de 0,4% do PIB no terceiro trimestre ante expectativa do mercado de 1% a 3,1%, não surpreenderam o IBGE. ?Esperávamos uma taxa ajustada positiva, mas alguma coisa em torno dos números que a gente apresentou. A nossa expectativa era exatamente esta?, afirmou, acrescentando que o setor agropecuário (a maior queda, de 6,7% ante os três meses imediatamente anteriores) foi influenciado negativamente pela diminuição da safra do café.Ainda sobre este tópico, Olinto voltou a explicar a dificuldade de o País apresentar taxas de crescimento mais significativas neste ano devido à base de comparação. ?Comparando as taxas com o mesmo trimestre do ano anterior, temos bases muito aumentadas. O setor agropecuário caiu 2,8% ante 2002 porque a base agropecuária no terceiro trimestre do ano passado estava muito elevada.?Com relação ao dado da construção civil, que apresenta forte queda, Olinto salientou que trata-se de uma atividade afetada por diferentes fatores. Este é um segmento, segundo o coordenador, dependente do crédito habitacional, de taxas de juros mais baixas e também do efeito da renda das famílias. A renda, explicou Olinto, afeta o setor de construção mediante o consumo de itens como material e mão-de ?obra. ?Ou seja, há uma série de fatores condicionais cujo tempo de resposta é maior do que o período de um trimestre para outro?, concluiu. Para ouvir a entrevista completa, acesse o site AE Financeiro no endereço www.aefinanceiro.com.br/entrevistas .Para ler mais sobre o PIB do trimestre: PIB brasileiro cresce 0,4% no terceiro trimestre Consumo das famílias cai 3,7%; indústria cresce 2,7%IBGE explica por que houve grande diferença entre o PIB e as previsões do mercado Consumo das famílias cai com renda menor e crédito baixo

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