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Para garantir sobrevivência, Odebrecht negocia a Braskem, sua ‘joia da coroa’

Grupo baiano confirmou conversas para unir petroquímica, que concentra 60% de suas receitas, ao grupo LyondellBasell, da Holanda, formando líder do setor

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

16 Junho 2018 | 04h00

Três semanas depois de fechar com os bancos um empréstimo de R$ 2,6 bilhões para honrar dívidas já vencidas, a Odebrecht anunciou nesta sexta-feira, 15, um acordo de exclusividade com a holandesa LyondellBasell para vender seu principal ativo: a Braskem.

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A petroquímica brasileira, responsável por quase 60% das receitas do grupo, é hoje a sexta maior do mundo e vale quase R$ 39 bilhões. O grupo baiano detém 38,3% do capital da companhia e a Petrobrás, 36,1%.

O negócio criaria a maior petroquímica do mundo, com receitas de US$ 49 bilhões (R$ 182 bilhões, pela cotação de sexta) e 96 fábricas em 17 países. Por enquanto, não há uma proposta firme, mas as negociações devem avançar nas próximas semanas com o início do processo de due diligence (levantamento de dados financeiros).

Com o anúncio de sexta, as ações da Braskem subiram 19,67%, cotadas a R$ 49,21. Entre os analistas há quem aposte que a oferta da LyondellBasell ultrapasse R$ 60 por ação.

O Estado apurou que o objetivo da Odebrecht é continuar com uma participação minoritária na petroquímica. Uma das opções seria o grupo vender sua participação e receber uma parte em ações da holandesa e outra em dinheiro.

Segundo analistas, o negócio seria bom para o grupo, que se tornaria sócio da maior petroquímica do mundo. Além disso, a holandesa é uma empresa com capital pulverizado (corporation) e tradicionalmente uma boa pagadora de dividendos. De 2010 para cá, a companhia pagou US$ 30 bilhões em bônus para os acionistas.

Ao se tornar sócio de um grupo mais forte e que paga mais dividendos, o grupo teria dinheiro para capitalizar a construtora. Sem a Braskem, a empreiteira se tornaria o principal ativo do conglomerado, que vem encolhendo desde o início da Operação Lava Jato. Nos últimos anos, teve de vender importantes ativos, como o aeroporto do Galeão (RJ), Embraport (SP) e Odebrecht Ambiental, na área de saneamento.

Dívidas. Mas o fechamento do negócio com a LyondellBasell precisará ter o aval dos bancos credores, que acabaram de conceder um novo empréstimo para o grupo. Isso porque parte da dívida da Odebrecht está garantida com ações da Braskem. Da participação de quase R$ 15 bilhões que a empresa tem na petroquímica, R$ 11,9 bilhões estão em garantia.

Fonte ligada aos credores afirma que, se as partes chegarem a um acordo para venda, a Odebrecht terá de pagar aos bancos os empréstimos. Se a acordo for uma fusão, será necessário pedir que os bancos credores aceitem ações da LyondellBasell em garantia.

O fechamento do negócio também dependerá de negociações com a Petrobrás, que ainda precisa renovar o contrato de fornecimento de nafta para a Braskem. Em nota, a estatal afirmou que “caso a negociação seja finalizada com êxito, irá analisar os termos e condições da oferta de forma a avaliar o exercício dos seus direitos previstos no Acordo de Acionistas”.

A Petrobrás poderá exercer a preferência na compra da petroquímica ou optar pelo tag along – mecanismo que estende aos minoritários o direito de venderem suas ações pelo mesmo preço pago aos controladores. O mercado aposta na segunda opção, pois a Petrobrás já oficializou ao mercado seu desejo de se desfazer da fatia na Braskem.

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