Para governo, câmbio reflete crise política

Para membros da equipe econômica, uma solução para a turbulência política deve ter efeito sobre as cotações

Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2015 | 03h00

BRASÍLIA

Membros da equipe econômica estão certos de que o Brasil encontrará uma solução para a crise política em breve e que isso se refletirá sobre a cotação do dólar. A avaliação é de que o País não possui tradição de radicalismo político e que, conforme já analisam alguns observadores, as crises tendem a ser bastante curtas por aqui.

Recentemente, diretores do Banco Central vieram a público falar de questões como esta. Na semana passada, quando o dólar tocou R$ 3,55, o diretor de Política Monetária, Aldo Mendes, disse que, para a instituição, o nível atual de câmbio está “muito além ou acima” do que seria explicado pelos fundamentos econômicos do Brasil e que o entendimento era o de que os agentes estariam agindo com pouca racionalidade. “Mesmo considerando delicado o momento político do País, o preço do dólar está claramente esticado”, disse.

Em reunião trimestral com analistas do mercado financeiro, outro diretor do BC, desta vez o de Política Econômica, Luiz Awazu Pereira da Silva, avaliou ser preciso observar atentamente o quadro doméstico e internacional com “muita calma e sangue frio”, segundo participante do encontro. Até porque, do lado internacional, chegou outro ingrediente que tem trazido incertezas aos negócios, a mudança cambial na China. 

De qualquer forma, a avaliação é a de que o País ganhou um prazo para se adaptar às mudanças. O rebaixamento da nota brasileira pela agência de classificação de risco Moody’s já era esperado, mas a perspectiva “estável” foi comemorada pelo governo. E o colchão de US$ 370 bilhões de reservas internacionais é visto como a tábua de salvação para garantir o selo de bom pagador do Brasil. 

Uma fonte do governo considerou ser difícil deixar escapar essa boa nota das mãos não só no curto prazo, mas também ao longo do ano que vem, justamente por conta das altas reservas. Nenhum profissional de mercado nega a importância desse colchão, mas alguns, no entanto, criticam o montante por causa dos custos de administração, o que recentemente foi também questionado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).


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