Para governo, balanço auditado da Petrobrás traz ‘alívio’

Na avaliação do Palácio do Planalto, divulgação dos resultados da empresa ‘é a superação de uma fase’

O Estado de S. Paulo

22 Abril 2015 | 21h25

A presidente Dilma Rousseff espera que, com a publicação do balanço da Petrobrás, se consiga “virar a página” deste episódio que foi considerado traumático para a empresa. Na reunião de coordenação do governo, realizada no final da tarde de quarta-feira 22, a presidente Dilma comentou sobre a importância da apresentação do balanço com os nove ministros presentes. A presidente lembrou ainda que a empresa tomou um conjunto de medidas para se recuperar e que elas já estão surtindo efeito. 

A divulgação do resultado da Petrobrás foi considerada “um alívio” para todos que acreditam que o mercado verá a empresa com transparência, retomando a sua credibilidade, que foi atingida pelas denúncias de corrupção na empresa, permitindo que a petroleira volte a focar seus esforços na produção e nos investimentos, que precisam ser assegurados. Para o Planalto, “o balanço é a superação de uma fase” e, com a publicação do dados, agora, “a Petrobrás têm todas as condições de retomar seus projetos e investimentos”. 

O governo espera assim, encerrar uma nova etapa da Petrobrás. Um dos ministros presentes ao encontro citou que, com a publicação do balanço, a situação da estatal poderá voltar a ser regularizada. 

Um assessor palaciano, no entanto, comentou que o prejuízo registrado pela empresa de R$ 21,58 bilhões em 2014 foi um dado que não estava sendo esperado. Reconheceu, também, que foi “muito negativo” o fato de a empresa apresentar o primeiro prejuízo desde 1991. Mas, ressaltou que, “tudo isso deve ficar no passado e que todos estão focados em olhar para a frente e focar na recuperação da empresa, na sua produção e nos novos investimentos que serão feitos”. 

O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, avaliou que o balanço comprova a qualidade e o compromisso dos funcionários da empresa, que continuam trabalhando “em meio a tantos desafios”. O ministro, no entanto, destacou que o resultado operacional da Petrobrás foi 15% maior do que o registrado em 2013. “Isso é uma demonstração desse empenho e também uma garantia de que a companhia está pronta para continuar seus ajustes e iniciar uma nova etapa de sua história”, comentou Braga por meio de nota. 

O líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), afirmou que os dados do balanço reforçam a posição da oposição de eventualmente pedir o impeachment da presidente Dilma. Ele considerou que os dados são a “comprovação da fraude” na Petrobrás e que Dilma, pelos cargos que ocupou, foi responsável e beneficiária das irregularidades. 

“Eu não conheço nenhum governo que tenha um balanço em que uma auditoria comprovou R$ 6,5 bilhões em corrupção e pagamento de propina. Para quem foi presidente, ministra de Minas e Energia, ministra da Casa Civil, presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, isso mais do que nunca fala que essa utilização da Petrobrás (…) foi diretamente pelo (João) Vaccari (ex-tesoureiro do PT) para o caixa de campanha”, disse Caiado. / COLABORARAM EDUARDO RODRIGUES, RICARDO BRITO E DAIENE CARDOSO 

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