Para governo, fim do corralito não gera disparada no dólar

"Uma astuta manobra, que terá mais impacto na política do que na economia". Esta foi a definição de diversos analistas sobre a decisão do presidente Eduardo Duhalde e seu ministro da Economia, Roberto Lavagna, de liberar todos os fundos retidos dentro do "corralito", como é chamado o impopular semi-congelamento de depósitos bancários implementado em dezembro do ao passado, e que será totalmente suspenso no próximo dia 2 de dezembro.No total, o fim do "corralito" permitirá a liberação de 21 bilhões de pesos (US$ 6 bilhões). O governo sustenta que não há motivos para temer que este dinheiro seja destinado à compra de dólares.Os economistas concordam. Segundo José Luis Espert, um dos economistas mais críticos com o governo Duhalde, "as pessoas não irão correndo comprar dólares. Além disso, o Banco Central possui reservas suficientes para manter a moeda americana sob controle". O ex-ministro da Economia e candidato à presidência da República, Ricardo López Murphy, disse que duvida que os argentinos tomem o dinheiro liberado e comecem a comprar a moeda americana. "Uma corrida ao dólar vai depender de muitas circunstâncias. Dependerá de como as pessoas verão o futuro, das expectativas dos argentinos".Para o diretor da Fundação Capital, Carlos Pérez, a liberação do dinheiro não causará uma corrida imediata para o dólar, embora considere que a medida é "arriscada, mas não suicida". Mas, segundo Pérez, a medida tampouco terá um efeito de reativação econômica, como alega o governo.Hoje pela manhã, o presidente Duhalde sustentou que o fim do "corralito" impulsará a economia: "a fins deste ano, a recessão acabará". O ex-ministro da Economia, Roque Fernández, considerou que o fim do corralito não implicará em crescimento econômico. Segundo ele, o crescimento somente ocorrerá quando cheguem ao país novos investimentos.

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