Para governo, inflação no País começa a desacelerar em agosto

Segundo fonte, porém, Palácio do Planalto espera IPCA de 6% neste ano, próxima ao teto da meta, de 6,5%

Beatriz Abreu, de O Estado de S. Paulo,

19 de junho de 2008 | 14h31

O governo trabalha com a previsão de que os índices de inflação começam a desacelerar a partir de agosto ou setembro, segundo uma fonte do Palácio do Planalto. Apesar disso, a reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira, 19, para discutir a inflação, teve como ponto de partida o fato de que, este ano, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deverá se situar em 6%, próxima ao teto da meta, que é de 6,5%.  Veja também:Inflação precisa de uma força-tarefa do governoA inflação e a estratégia para 2010Entenda a crise dos alimentos  Entenda os principais índices de inflação   O encontro, do qual participaram os economistas Luiz Gonzaga Belluzzo, Delfim Netto e Luciano Coutinho, atual presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o da Agricultura, Reinhold Stephanes, pode ter tido como foco a alta dos preços dos alimentos - os grandes vilões do atual surto inflacionário.  Após o término da reunião, que durou mais de duas horas, todos os participantes saíram pela garagem, sem falar com a imprensa. Segundo a fonte do governo, o desafio agora é manter a escalada dos preços sob controle de forma a trazer a inflação de 2009 para o centro da meta de 4,5%. Não se pode dizer, porém, que o governo esteja preocupado a ponto de considerar um cenário pessimista de descontrole dos preços. Ao contrário, já se aceita a possibilidade de conter um pouco mais o crescimento da economia, atualmente no ritmo de 6% ao ano. Um freio de arrumação, apenas. O que está sendo avaliado é o que precisa ser feito para coordenar as ações do Ministério da Fazenda e do Banco Central para conter a inflação para que, no prazo mais rápido possível, se possa retomar a velocidade no ritmo de crescimento do País. Neste momento, não há apostas colocadas à mesa sobre o quanto a economia deve se desacelerar para trazer a inflação para o centro da meta de 4,5%. O cenário com o qual se pretende trabalhar é o de inflação na meta, sem comprometer o crescimento.  O arsenal de medidas não é tão diversificado porque está se partindo do princípio da não-intervenção na economia, segundo a mesma fonte. De fato, existem duas opções: aumento dos juros e de um esforço fiscal maior. A elevação da taxa Selic é o instrumento utilizado pelo Banco Central, que já jogou a taxa para 12,25% ao ano. Novos aumentos estão na pauta do Copom e a intensidade dependerá de um trabalho de sintonia fina com as expectativas do mercado financeiro e a possibilidade de o governo abrir mão do aumento de gastos, apesar de estar em um ano eleitoral. O anúncio do esforço fiscal adicional de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano já está incluído no modelo utilizado pelo BC, que passou a considerar um superávit primário de 4,3% em 2008. A tendência do governo é trabalhar com um superávit maior das contas também em 2009. Esse anúncio, por si só, na avaliação técnica, teria efeito sobre as expectativas.

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