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Para governo, PEA ditará queda de índices de desemprego

Amparado pelos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e numa previsão de crescimento de mais de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, o Ministério do Trabalho estima que o mercado manterá nos próximos meses a geração de empregos, mas, por outro lado, as quedas nos índices de desemprego serão "comedidas", já que também se espera por aumento da População Economicamente Ativa (PEA)."Minha perspectiva é que o mercado de trabalho continue a crescer e que setembro e outubro sejam meses melhores do que os anteriores", disse à Agência Estado o ministro do Trabalho, Luiz Marinho. "Agora, acontece que a melhora do rendimento nos últimos meses tem atraído mais gente a procurar trabalho e os postos criados têm sido insuficientes para absorver esse pessoal", ponderou.A linha de argumentação do ministro do Trabalho é também defendida pelo economista para a área de mercado de trabalho do Ipea, Marcelo de Ávila. "Em 2003 e 2004, a PEA cresceu menos do que a média histórica, de cerca de 2% ao ano, ficando em pouco mais de 1%. Isso gerou uma represamento de pessoas que não procuravam trabalho e agora em 2006, podemos especular, se sentiu atraída a sair a busca de ocupação porque sentiu uma melhora das ofertas de trabalho e renda", analisa Ávila.Conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) divulgada pelo IBGE na semana passada, o rendimento médio real do trabalhador brasileiro apresentou em 2005 o primeiro crescimento ante o ano anterior desde 1996. O rendimento médio apurado foi de R$ 805, ou 4,6% a mais do que os R$ 770 verificados em 2004."Como está se gerando emprego de qualidade e há aumento dos rendimentos médios, isso atrai pessoas ao mercado de trabalho", enfatiza a coordenadora do Observatório do Trabalho do Ministério, Paula Montagner. Ela informa que a expectativa do governo é que o saldo de empregos verificados pelo Caged, no acumulado do ano, seja positivo em cerca de 1,3 milhão em 2006, algo como 3,7% superior ao saldo de 2005. "Ocrescimento do emprego na indústria (264,64 mil postos gerados de janeiro a agosto, segundo o Caged) nos dá indicação de que não será nenhum brilho, mas chegaremos razoavelmente perto da nossa projeção (de 1,3 milhões de postos criados)", comentou Paula.A sazonalidade também joga a favor para a redução das taxas de desemprego apuradas pelas pesquisas, embora os especialistas consultados rejeitem um PIB de 4% e vejam com alguma desconfiança a continuidade do crescimento da PEA.Procurado pela Agência Estado para detalhar a viabilidade de o PIB chegar a 4% ou 4,5%, e que amparam as previsões do Ministério do Trabalho, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, preferiu não se pronunciar. Segundo a Assessoria de Comunicação do Planejamento, mesmo após a divulgação do PIB de 2,2% no primeiro semestre deste ano em relação a igual período de 2005, o ministro manteve a previsão de crescimento do País em 4,5%, mas prefere não aprofundar análise nas próximas "duas ou três semanas", aguardando a divulgação de novos indicadores. "É como uma partida de futebol em andamento, na qual não se sabe se o resultado será de 1 a 0 ou de mais", justificou a assessoria.Diante da incerteza sobre o resultado do PIB, os especialistas preferem se amparar em movimentos históricos, como por exemplo o comportamento da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) da Grande São Paulo produzida pela Fundação Seade e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que demonstram queda do desemprego no segundo semestre."A expectativa de melhora na economia no segundo semestre sempre existe, mas devemos esperar um incremento marginal no nível de emprego, nada expressivo", aponta o diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio. "Se tomarmos a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE como referência, o desemprego sempre cai em média 0,5 ponto porcentual em dezembro. Mesmo que não caia nada entre agosto e novembro, se cair nessa proporção em dezembro, o desemprego ficará em um dígito", observa Ávila, do Ipea, ao acrescentar que não espera a continuidade de expansão da PEA, como verificada nos meses anteriores.Iniciativas do governo federal, como o recente pacote de medidas de estímulo à construção civil e a continuidade da queda da Selic, também poderão contribuir para a melhora do ambiente econômico e, assim, estimular a geração de postos."Temos que ressalvar que as medidas para a construção, muito bem-vindas, só deverão surtir efeito no próximo ano. Além disso, os juros permanecem muito elevados e há mais rentabilidade em investir em títulos públicos do que na produção, dentro de um crescimento ainda muito duvidoso", aponta Ganz Lúcio.Os efeitos maléficos do câmbio e das taxas de juro elevadas seriam ainda mais sentidos nas regiões metropolitanas do que no interior do País, pondera Ganz Lúcio e integrantes do governo. Observam que os dados do Caged nos sete primeiros meses do ano já revelavam que, nos nove Estados que comportam as regiões metropolitanas do País de acordo com a PNAD, o emprego com carteira assinada cresceu mais no interior do que nos centros urbanos."Parte da pauta de exportação está concentrada no agronegócio e em indústrias que deixaram as regiões metropolitanas atrás de vantagens competitivas, caso de benefícios fiscais, no interior. Esse grupo estariacrescendo e gerando trabalho", analisa o diretor do Dieese.Tal percepção não é compartilhada por Ávila, do Ipea. Para refutar o maior crescimento do emprego no interior, ele usa uma fórmula na qual lembra que as seis regiões metropolitanas pesquisadas pela PME representam cerca de 32% dos empregos com carteira no País, conforme a PNAD de 2004. Segundo ele, em 12 meses (de agosto de 2005 a julho de 2006), o saldo médio de empregos mensais apurado pela PME foi de 34,4 mil ocupações criadas. "Se essas regiões representam 32% dos empregos formais, numa fórmula de simulação na qual todo o mercado fosse metropolitano, poderíamos multiplicar o saldo da PME por três, representando assim todo o País. O resultado é de 103,2 mil empregos criados por mês em todo País, algo muito próximo do resultado do Caged", explica Ávila, ao demonstrar, assim, que os empregos acumulados no Caged seguem amédia móvel da PME.Nesse cenário, ele entende que as deficiências de geração de emprego no País são as mesmas enfrentadas nas regiões metropolitanas e no interior do País. "Sem dúvida nenhuma, o comportamento do mercado de trabalhoé resultado do baixo crescimento econômico que enfrentamos neste ano", insiste o especialista do Ipea.

Agencia Estado,

21 de setembro de 2006 | 07h28

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