Para governo, queda do saldo vai ajudar o dólar

Superávit comercial do País caiu 7,5% no período janeiro-agosto de 2007 ante mesmo período de 2006, e pode cair mais até o fim do ano

Denise Chrispim Marin, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2004 | 00h00

A queda de 7,5% no saldo comercial brasileiro entre janeiro e agosto, em relação a igual período de 2006, não trouxe preocupação para o governo, que prevê recuos ainda maiores até o fim do ano. Ao divulgar os números da balança comercial do período, o secretário de Comércio Exterior, Armando Meziat, explicou que a queda de US$ 2,234 bilhões no superávit diminui as pressões de valorização da taxa de câmbio e não deverá pesar significativamente nas contas externas do País deste ano.De janeiro a agosto, o superávit alcançou US$ 27,513 bilhões. No ano passado, nesse mesmo período, havia sido de US$ 29,747 bilhões. Boa parte desse recuo deve-se à expansão das importações no período, de 27,8%.Os números da Secex mostram claramente que, do total de US$ 74,921 bilhões importados pelo Brasil de janeiro a agosto, 53,8% refletem a demanda interna por insumos e bens de capital (máquinas e equipamentos para setores produtivos).Mas há um sinal de alerta: as importações de bens de consumo alcançaram US$ 9,806 bilhões no período e apontaram crescimento de 31,8%. Nessa categoria estão os automóveis, responsáveis por US$ 1,658 bilhão em importações. A cifra é 52,5% maior que a verificada entre janeiro e agosto de 2006.Nos doze meses concluídos em agosto, o saldo positivo da balança comercial foi de US$ 44,224 bilhões - cifra US$ 2 bilhões menor que a do período anterior.Mesmo assim, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) não prevê redução nessa diferença. Meziat explicou que, nos doze meses, as exportações atingiram US$ 151,862 bilhões, mas a estimativa de total de embarques em 2007 continua cravada em US$ 155 bilhões.DESACELERAÇÃOEssa estimativa comparada com o acumulado em 12 meses significa taxas de crescimento das exportações cada vez menores que as das importações neste segundo semestre. De janeiro a agosto, os embarques cresceram 15,9% e foram amparados sobretudo pelo desempenho dos produtos básicos. Esse item respondeu por US$ 32,383 bilhões, cifra equivalente a 31,6% do total exportado pelo País e a uma expansão de 24%. Os produtos industrializados, com US$ 67,982 bilhões, foram responsáveis por 66,4% dos embarques - 2,1 pontos porcentuais a menos que em igual período de 2006. Seu crescimento foi de 11,9%.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.