Para governo, risco zero não existe

Houve investimento de R$ 30 milhões na reforma de postos em 2007, diz diretor do Departamento de Saúde Animal

Gustavo Porto, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

19 de janeiro de 2008 | 00h00

O Ministério da Agricultura admitiu ser impossível risco zero de febre aftosa na fronteira brasileira entre Mato Grosso do Sul e Paraguai. Guilherme Marques, diretor interino do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, garantiu, no entanto, que foram tomadas várias medidas, desde 2005, para reduzir esse risco, o que impediu o surgimento de novos casos. "Risco zero não existe. Até no Japão, que é uma ilha, com 96 anos sem aftosa, a doença entrou por importação de material vegetal."De acordo com ele, foram investidos em 2007 R$ 30 milhões na reforma e adequação de 15 postos de fiscalização federal, com dois veterinários em cada um, além da vacinação conjunta de 1,5 milhão de animais no Brasil e de 200 mil no Paraguai. Os postos e os animais estão numa área chamada de alta vigilância, em um raio de 15 quilômetros da fronteira para dentro de cada um dos dois países.Além da vacinação com acompanhamento de autoridades sanitárias nas propriedades, os dois países vão pôr brincos de identificação em todos os bovinos da área. "Em Eldorado, Japorã e Mundo Novo (onde surgiram focos em 2005), 100% dos animais têm brincos", disse Marques. "Já a situação de reforma de postos e de fiscalização da área da fronteira é contínua, e eu posso assegurar que de 2005 para cá muita coisa avançou."Como a fronteira entre o Brasil e o Paraguai naquela região é seca, Marques considera difícil evitar que um animal do país vizinho cruze as divisas, que se resumem aos marcos físicos. "Seguramente, os animais que são criados na área da fronteira não se atêm aos marcos colocados para delimitar a divisa. É possível que animais do lado paraguaio adentrem ao lado brasileiro e vice-versa."Marques reafirmou que esses animais estão protegidos pelas vacinações e destacou que a criação da área para minimizar o risco "é um trabalho orquestrado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), pois não tem como levantar um muro lá e é preciso trabalhar com estratégias de erradicação comuns da febre aftosa". A OIE é a entidade mundial que reconhece o status de regiões livres de febre aftosa. A estrutura de fiscalização, de acordo com o diretor do Departamento de Saúde Animal, tem o apoio ainda de unidades que se movimentam pela fronteira para controlar a entrada de animais contrabandeados. "Quando uma pessoa quer contrabandear, quer agir de má-fé, foge dos postos fixos. A barreira volante segue para outras estradas, com apoio da polícia. Por isso, quem souber de alguma irregularidade deve denunciar para que possamos identificar."No fim do ano passado, após as ações sanitárias, o governo brasileiro liberou o comércio de animais da região sul-mato-grossense onde surgiram os focos em 2005. Na semana passada, uma missão do Ministério da Agricultura defendeu o reconhecimento da OIE para a recuperação de 11 Estados brasileiros e do Distrito Federal como zonas livres de aftosa com vacinação.

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