Para Greenspan, política do Fed pode estimular inflação

A economia dos Estados Unidos pode testemunhar uma inflação de dois dígitos em uns poucos anos a menos que o banco central norte-americano aperte sua política monetária, afirmou hoje o ex-presidente do Federal Reserve Alan Greenspan. "A menos que retiremos todo este grau de expansão, estaremos com problema. Eu não estou falando de uma inflação de 3%-5%, estou falando de uma inflação de dois dígitos nos EUA", disse Greenspan em uma videoconferência em Mumbai, Índia.

AE, Agencia Estado

07 de setembro de 2009 | 14h17

O ex-presidente do Fed disse que a inflação nos EUA pode começar a acelerar em algum momento em 2012 a menos que medidas sejam tomadas para reduzir a imensa base monetária. Contudo, a taxa de inflação global - excluindo os preços de alimentos e energia - continuará a cair através deste ano e no próximo ano, disse, apontando para uma considerável folga na economia global.

Desde dezembro do ano passado, o Fed vem mantendo sua taxa de juro de curto prazo em um nível extremamente baixo - mirando efetivamente uma taxa zero -, enquanto tenta ajudar a orquestrar uma recuperação tanto nos mercados financeiros quanto na economia mais ampla. Com uma recuperação começando a se mostrar, alguns estão preocupados de que a continuação da atual política vai alimentar uma disparada na inflação.

Greenspan disse que apertar a política é difícil, comparado com a expansão do balanço patrimonial, em uma democracia.

Recentemente, o Fed disse que vai concluir suas compras de US$ 300 bilhões em títulos da dívida do Tesouro americano até o final de outubro e que vai desacelerar as compras restantes com objetivo de proporcionar uma transição suave de uma posição de afrouxamento monetário.

Greenspan acrescentou que os bancos americanos vão precisar de mais colchão de capital mesmo durante tempos normais. "Mesmo em períodos sem crise, sem euforia, precisaremos ter um colchão muito maior do que atualmente temos", disse o ex-presidente do Fed.

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