WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Quem insiste em subsídio, quebrou o País, diz Guedes

Ministro que já perdeu uma batalha por menos protecionismo com o setor de leite, diz que ‘todo mundo vem pedir dinheiro para isso, para aquilo’

Anne Warth e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2019 | 11h06
Atualizado 13 de fevereiro de 2019 | 21h28

BRASÍLIA - Depois de ter perdido a primeira batalha por menos protecionismo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quarta-feira, 13, que os que insistem em subsídios “quebraram o Brasil”. “Todo mundo vem pedir subsídios, dinheiro para isso, dinheiro para aquilo. Eu falo: o que vocês podem fazer pelo Brasil? Quebraram o Brasil, quebraram o Brasil”, afirmou o ministro a empresários, em Brasília.

“Muitas vezes nossa vida é jogada de um lado para o outro e não são as melhores opções”, desabafou Guedes. O ministro já teve de lidar com as críticas da ministra Tereza Cristina, que afirmou em entrevista ao Estado que não pode haver um “desmame radical” na subvenção do crédito agrícola pela União.

Também por causa da pressão do agronegócio, a equipe econômica teve de recuar e ainda hoje deve ser editado um decreto para aumentar a taxa de importação de leite em pó da União Europeia para compensar o fim de uma tributação antidumping de 14,8%, revogada pela equipe econômica. Os produtores reclamaram que, sem a taxa, em vigor desde 2001, o mercado fosse invadido por leite em pó europeu. As importações do produto serão taxadas em 42,8%. O presidente Jair Bolsonaro confirmou o aumento do imposto num tuíte.

“O ministro da Fazenda não pode fazer uma coisa de manhã e de tarde ser desfeita. É um jogo de xadrez, tem que se ter cuidado quando se mexer uma pedra importante, todo mundo está vendo”, criticou ontem o novo presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Omar Aziz (PSD-AM). “O presidente Bolsonaro, por quem eu tenho todo respeito, comemorou uma vitória em cima do governo dele. Isso não dá tranquilidade a nenhum investidor”, disse.

Para Omar Aziz, as “regras do jogo” não podem ser mudadas sem que seja feito um estudo aprofundado sobre o tema. “Foi o que o (ex-presidente Michel) Temer errou na questão dos caminhões. Vocês lembram que quando houve a crise dos caminhões, ele, para dar um preço mínimo para o combustível, foi mexer em outras coisas. A economia é um jogo de xadrez. Você tem que mexer uma pedra, mas você tem que saber o que vai acontecer depois de 7, 8 jogadas”, disse.

Já o secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, defendeu ontem a abertura comercial brasileira como estratégia para o desenvolvimento. Em seminário, ele afirmou que a meta é aumentar a participação do comércio exterior no PIB, a exemplo do que fizeram todos os países que mudaram de patamar de renda nos últimos 70 anos. /COLABORARAM LU AIKO OTTA, TEO CURY e RENAN TRUFFI

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