Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Para Ibama, racionamento de energia e água devia ter sido adotado

Presidente do órgão avalia que medida não foi decretada em 2014 porque País vivia campanha eleitoral

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2015 | 02h06

RIO - A presidente do Ibama, Marilene Ramos, admitiu ontem que teria sido melhor os governos federal e estaduais decretarem racionamento de eletricidade e de água no ano passado. Em 2014, em meio à campanha eleitoral, a crise hídrica levou os reservatórios de água, tanto para consumo humano quanto para geração hidrelétrica, para níveis mínimos históricos, mas medidas de racionamento foram evitadas tanto pelo governo da presidente Dilma Rousseff (PT) quanto pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). Segundo Marilene, deveria ter havido racionamento de água também no Rio.

"Racionamento, em qualquer governo, de qualquer partido, é um palavrão", afirmou Marilene, em palestra no seminário 20 Anos da Lei de Concessão, organizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio. "Poderíamos hoje ter mais água nos reservatórios (se tivesse havido racionamento)", afirmou a presidente do órgão federal responsável pelo licenciamento e fiscalização ambientais, na saída do evento.

A necessidade de decretar um racionamento de energia rondou o setor elétrico ao longo de todo o ano passado. Por causa disso, as usinas térmicas, cujo custo é mais elevado para as distribuidoras, permaneceram acionadas a maior parte do tempo - incluindo o verão de 2014 e 2015, quando as chuvas ficaram abaixo do normal no Sudeste.

Para evitar o repasse do custo mais elevado aos consumidores, as distribuidoras de energia tomaram empréstimos bilionários com bancos públicos e privados, em operações coordenadas pelo governo. Neste ano, com a chegada da equipe econômica comandada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, foi adotada uma política de "realismo tarifário", que implicou fortes reajustes na conta de luz.

No caso do abastecimento de água, a estiagem em São Paulo teve como símbolo o reservatório da Cantareira, que viu seu volume útil se esgotar e teve de apelar até para uma segunda cota do volume morto (a reserva técnica da represa.

Diante da crise hídrica, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) lançou um programa de bônus para quem economizasse água, bombardeou nuvens para provocar chuva artificial, retirou bairros da capital da área de cobertura do Cantareira e reduziu a pressão na rede para diminuir as perdas por vazamentos. O rodízio oficial chegou a ser planejado em janeiro, conforme o Estado revelou em agosto de 2014, e o racionamento foi admitido e negado várias vezes pelo governo estadual.

Belo Monte. A presidente do Ibama também afirmou ontem que as pendências para a licença de operação da Hidrelétrica de Belo Monte poderão ser resolvidas ainda este ano. No mês passado, o Ibama negou a emissão da licença de operação de Belo Monte à concessionária Norte Energia. "O processo está bastante adiantado", disse. "Muita coisa foi cumprida. O que não está (cumprido) tem de cumprir, senão, não tem licença."

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