Para IBGE, mercado de trabalho está parado

Índice de desemprego em maio ficou em 8,8% ante 8,9% em abril

Jacqueline Farid, RIO, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2009 | 00h00

A taxa de desemprego medida pelo IBGE nas seis principais regiões metropolitanas do País caiu um pouco em maio, para 8,8%, contra 8,9% em abril. O que parece ser um bom resultado para um ano de crise esconde um quadro ainda desfavorável. A renda real dos trabalhadores - já descontada a inflação - recuou em relação ao mês anterior, enquanto o número de desocupados registrou a maior alta anual em quase três anos. A informalidade aumentou.Para Cimar Azeredo, gerente da pesquisa mensal de emprego, o mercado de trabalho "está menos favorável" e "continua sentindo o efeito da crise". Ele ressaltou que o desemprego segue em patamares mais elevados do que no ano passado - em maio de 2008, a taxa foi de 7,9%. "O mercado não está criando vagas e há procura por emprego, por isso o número de desocupados continua aumentando ante o ano passado", disse. "O número de geração de postos é pífio."O número de ocupados nas seis regiões metropolitanas subiu apenas 0,3% em maio em relação a abril e 0,2% em comparação a maio do ano passado. Houve pequena queda (-0,5%) no número de desocupados em relação a abril. Essa queda não evitou a alta de 13,0% no número de desocupados em relação a maio de 2008, o maior anual desde agosto de 2006. O total de desocupados aumentou em 234 mil de maio do ano passado até igual mês deste ano, totalizando 2,04 milhões de pessoas. No mesmo período, foram geradas apenas 45 mil vagas. Para a analista da Tendências Consultoria, Ariadne Vitoriano "o forte aumento dos desocupados está associado ao enfraquecimento da atividade econômica no período". O ritmo de geração de vagas formais preocupa Azeredo. Na média de janeiro a maio de 2008, o número de vagas com carteira assinada aumentou 8,6% e, em igual período de 2009, aumentou bem menos (2,9%). "O número de empregos com carteira está mostrando evolução não satisfatória", disse. Na comparação com abril, o emprego sem carteira aumentou 1,4%. Das 71 mil vagas geradas, mais da metade, 37 mil, são informais. Azeredo destacou que, na média de janeiro a maio deste ano, a taxa de desemprego foi de 8,7%, enquanto em igual período do ano passado era de 8,3%.INDÚSTRIAEntre as atividades pesquisadas pelo IBGE, a indústria, que lidera os empregos formais e paga os melhores salários, foi a que mais demitiu em maio. Ante abril, foram perdidas 24 mil vagas, na sexta queda consecutiva. Na comparação com maio do ano passado, o número de vagas caiu em 6%, com corte de 217 mil postos. Para o professor da PUC-RJ e economista da Opus Gestão de Recursos, José Márcio Camargo, a queda no emprego industrial é uma das piores notícias trazidas pela pesquisa. "Há uma destruição de empregos industriais, que são os melhores remunerados, conforme apontam dados registrados por pesquisas setoriais."O economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) Rogério Souza disse que a indústria não está contribuindo para a redução do desemprego, mas a expectativa é que, nos próximos meses, "o emprego no setor apresente sinais mais consistentes de que poderá entrar numa trajetória de recuperação".COLABOROU RICARDO LEOPOLDO

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.