Para IBS, medidas do governo para o aço são insuficientes

O vice-presidente do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) e presidente da Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), José Armando de Campos, considerou insuficientes as medidas apresentadas pelo governo brasileiro para proteger a indústria siderúrgica. Segundo ele, medidas como licenciamento não automático "são apenas paliativas" e servem somente como instrumento para monitorar a entrada de produtos siderúrgicos no Brasil. A Câmara de Comércio Exterior (Camex) rejeitou a reivindicação do setor de elevação das tarifas de importação de aço para 30%, para impedir uma enxurrada no País do excedente de produtos siderúrgicos no mercado internacional, que o IBS estima entre 16 e 20 milhões de toneladas.O secretário executivo da Camex, Roberto Gianetti, sustentou ontem que o governo tomou uma decisão equilibrada e que insistir na questão da sobretaxa agora "é chover no molhado". Gianetti, um dos principais críticos ao pleito da indústria siderúrgica, alega que o controle da licença de importação será suficiente para evitar danos à indústria nacional que poderiam advir da atual situação de desequilíbrio devido à onde de protecionismo desencadeada pelos Estados Unidos. "Não vamos tolerar dumping. O importador que for pego em qualquer tipo de fraude, como alteração de nomenclatura, faturamento e volume, será seriamente punido", afirmou.Para o vice-presidente da CST, a principal exportadora de produtos siderúrgicos do País, a adoção de salvaguargas, além de ser uma medida de difícil implementação, só pode ser utilizada quando se consegue provar o dano, ou a iminência dele, à indústria. Campos avalia que o aumento de tarifas é a única medida que pode evitar que a indústria siderúrgica brasileira seja prejudicada pelo "efeito dominó" que o protecionismo norte-americano vai gerar no mercado. "Essas medidas são paliativas, é preciso atacar o problema, senão vamos chamar o médico apenas para fazer a autópsia", afirmou.

Agencia Estado,

27 de março de 2002 | 18h58

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