Para Idec, negócio não vai melhorar atendimento

Serviços de telefonia ocuparam o 1º lugar no ranking de reclamações de consumidores do Procon-SP em 2009

Naiana Oscar e Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2010 | 00h00

Os serviços de telefonia no País ocupam o primeiro lugar em número de reclamações no ranking do Procon-SP, com 45,8% das queixas registradas em 2009. E essa realidade não deve mudar no curto prazo, segundo órgãos de defesa do consumidor.

Para Guilherme Varella, advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), os negócios fechados ontem não devem ter efeito na qualidade do atendimento. O advogado diz isso porque, historicamente, segundo ele, os investimentos em novos planos e expansão da rede não se refletem na melhoria do atendimento ao consumidor. No ano passado, o segmento de telecomunicações foi responsável por 19,48% de todas as reclamações do Idec no País. "Fusões e atos de concentração de mercado não têm melhorado o serviço", afirma Varella. "Seria um benefício se essas medidas viessem acompanhadas de metas de qualidade."

Segundo o professor especialista em telecomunicações da FGV-Eaesp, Arthur Barrionuevo, a principal mudança para o consumidor será a agilização das decisões da Telefônica no desenvolvimento de promoções casadas de telefonia fixa, TV por assinatura, banda larga e celular em São Paulo, mercado em que oferece todas as quatro serviços. Para ele, ao se tornar controladora da Vivo, a companhia deixaria de ter de compartilhar as decisões relativas à telefonia móvel com a Portugal Telecom. "Acho que esse é o único efeito palpável no curto prazo."

No levantamento do Procon de São Paulo, feito com base nas reclamações do ano passado, a Telefônica aparece pela quarta vez consecutiva na liderança do ranking, responsável por 37% das queixas. TIM, Claro, Oi e Vivo estão entre as 20 primeiras.

No mês passado, Procons de 15 Estados brasileiros, a maioria da Região Nordeste do País, iniciaram um protesto contra a Oi, por causa do alto índice de queixas não solucionadas. Eles decretaram um esquema de mutirão contra a operadora e passaram a dar prioridade aos atendimentos da empresa, que normalmente passavam por uma tentativa de reconciliação.

Preços. No início do ano, um levantamento da União Internacional de Telecomunicações (UIT) mostrou que a telefonia e a internet no Brasil continuam entre as mais caras do mundo. Os brasileiros gastam em média 5,66% da renda com serviços de celular. A taxa é cinco vezes mais alta que a cobrada pelas operadoras na Europa. Apenas 40 países - de um total de 161 economias analisadas - têm serviço de telefonia móvel mais cara que o Brasil. No ano passado, a UIT registrou um gasto médio de 2,1% da renda com telefonia fixa no País.

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