Para Iedi, juro baixo e câmbio competitivo farão País crescer

Taxas de juros reduzidas e câmbio competitivo e estável compõem a receita do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) para a retomada do crescimento da economia nos padrões históricos sustentados até a década de 80. Às vésperas de completar 14 anos, o Iedi quer dar maior visibilidade aos interesses do setor produtivo para a opinião pública, contrapondo-se à influência excessiva do mercado financeiro que seus integrantes detectam no debate político e econômico. "A imprensa brasileira virou um noticiário sobre cassino", queixou-se o empresário Ivoncy Ioschpe, que preside a entidade, referindo-se ao espaço dedicado aos temas financeiros pelos veículos de comunicação do País.O Iedi acredita que o caminho para o crescimento sustentado da economia passa pela predominância de juros muito baixos, afirmou o diretor-executivo da entidade, Júlio Gomes de Almeida, na apresentação de um estudo sobre o tema. Os países emergentes que conseguiram manter períodos prolongados de crescimento nas duas últimas décadas, de acordo com o estudo, combinaram juros reduzidos com desvalorização das moedas para tornar as exportações competitivas. Esse ambiente traduziu-se também em desenvolvimento social nos exemplos citados, particularmente na Irlanda e na Coréia do Sul.No caso brasileiro, as taxas de crescimento consideradas medíocres após os anos 80, quando se acentua o processo de globalização da economia, são caracterizadas como fruto de altas taxas de juros combinadas com a valorização do câmbio. O economista Yoshiaki Nakano, que participou como convidado da reunião de hoje dos membros do Iedi com um grupo de jornalistas, chegou a afirmar que o País deixou de contar com um "projeto nacional" nos últimos 20 anos, quando liberou a economia e abriu as portas ao capital especulativo. "Um erro crasso desse período foi elevar a taxa de juros para atrair capital estrangeiro", afirmou o economista. A conseqüência, segundo ele, foi que a economia brasileira passou a receber o chamado capital de arbitragem e não recursos direcionados para o setor produtivo.A receita indicada pelo Iedi para a economia passa, finalmente, pela acumulação de reservas internacionais elevadas, a geração de saldos comerciais e um resultado superavitário até mesmo em transações correntes. O câmbio em torno de R$ 3,50 a R$ 3,60 foi considerado o mais adequado para o caso brasileiro, nas palavras dos economistas Paulo Rabello de Castro e Luiz Gonzaga Beluzzo, também presentes ao encontro. O diretor-executivo do Iedi argumentou que esse perfil de política econômica não significa negligenciar a inflação, mas apenas não fazer do controle de preços a única meta a ser perseguida pela política econômica. "Juros e câmbio devem fazer parte dessa equação", defendeu Júlio Gomes de Almeida.A adoção de políticas de estímulo a setores industriais específicos não conta com o entusiasmo irrestrito do Iedi. A avaliação de Ivoncy Ioschpe com relação à redução do IPI para a indústria automobilística, anunciada ontem pelo governo federal, é de que a medida "não vai resolver o problema da economia brasileira". Ioschpe creditou a decisão muito mais a uma motivação política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja base partidária tem como origem justamente a área de produção da indústria de automóveis.

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