Para indústria, decisão do BC é pragmática e compreende crise

Fecomercio-SP diz que redução de juros mostra que BC entendeu crise; CNI diz que decisão é sensata

Sandra Manfrini, da Agência Estado

21 de janeiro de 2009 | 19h48

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou como "sensata e pragmática" a decisão do Banco Central de reduzir a taxa Selic em um ponto porcentual. "Denota a percepção da autoridade monetária em adequar a política monetária aos instrumentos de enfrentamento da crise econômica global e dos seus desdobramentos na economia brasileira, que se mostram mais intensos que o esperado", diz a CNI, em nota divulgada nesta quarta-feira, 21.  Veja também:Trabalhadores elogiam decisão do Copom sobre os jurosDesemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise  A avaliação da Confederação é de que a decisão atende aos anseios da sociedade, representa um primeiro movimento e "que cortes adicionais na taxa básica de juros deverão ocorrer proximamente". "Com esse movimento, a política monetária brasileira acompanha os demais países no uso do instrumento monetário de forma ativa no combate à crise", diz a nota. A redução da Selic, avalia ainda a CNI, vai ao encontro da "necessidade e urgência de se reduzir o custo do dinheiro, que se encontra em patamar extremamente elevado e em desacordo com as necessidades dos agentes econômicos, sejam eles empresas ou famílias". Apesar de avaliar como positiva a decisão de hoje do Copom, a CNI destaca que só a queda da Selic não é suficiente. "São necessárias medidas que levem à diminuição do spread bancário, de modo a promover redução mais expressiva da taxa de juros para os tomadores de crédito", diz a nota.   A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) aprovou a decisão do Copom. Para a Firjan, "a decisão de redução mais enérgica da taxa básica de juros foi condizente com o balanço de riscos tendendo fortemente para a desaceleração do nível de atividade". A Federação defende que a atual conjuntura econômica impõe a necessidade de ações "firmes e consistentes no combate à crise internacional", especialmente a injeção de maior liquidez no mercado doméstico. Além da redução da taxa, a Firjan afirma acreditar que a melhor resposta para a crise seria "a intensificação das reformas estruturais, em particular a reforma tributária no que diz respeito à desoneração da produção, do investimento e das exportações aumentando a competitividade das empresas brasileiras."  O presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), Abram Szajman, disse que a redução  é positiva, ainda que tardia, e mostra que o Banco Central "finalmente compreendeu a gravidade da crise". "O importante agora é o Copom sinalizar que este é o início de um ciclo de queda para levar a Selic até uma taxa de um dígito", disse. Para a Fecomercio-SP, a taxa de juro básica máxima aceitável no Brasil seria de 9% ao ano. "Esses 9% seriam suficientes para remunerar os investimentos em cerca de 4 pontos porcentuais acima da inflação", acrescentou. (Com Anne Warth, da AE)

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