Sergio Castro|Estadão
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Para indústria, redução de impostos de importação geraria incertezas

Representantes do setor produtivo defendem mais mecanismos de incentivo

Álvaro Campos, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2016 | 05h00

A avaliação de que a produtividade da indústria está estagnada há muitos anos e de que o setor vem perdendo espaço dentro do PIB brasileiro é consensual entre analistas e empresários, mas não as suas causas. Enquanto os economistas apontam que a economia brasileira é muito fechada e que os programas de incentivos não tiveram o impacto esperado, os industriais alegam que os benefícios recebidos não compensam os desequilíbrios macroeconômicos que impedem a competitividade do produto brasileiro.

Na avaliação do assessor de assuntos estratégicos da presidência da Federação das Indústria dos Estado de São Paulo (Fiesp), André Rebelo, não é justo pegar um conjunto de “políticas esquizofrênicas” do governo e colocar a culpa de tudo na indústria. “É um absurdo achar que um problema que começa com desequilíbrios tão grandes possa ser compensado por políticas setoriais inconsistentes. Qualquer efeito que houver será muito pontual”.

Para ele, prova de que a indústria não foi de fato ajudada pelo governo é a redução da sua participação no PIB. Além disso, argumenta, não há proteção – o que se mostra pelo aumento do coeficiente de importação no setor, que cresceu fortemente nos últimos anos.

O presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Venilton Tadini, também chama atenção para a dissociação entre as políticas setoriais e o ambiente macroeconômico. “É uma sandice inominável achar que, com incentivos fiscais e creditícios, teríamos um resultado na indústria. Temos problemas de natureza cambial seriíssimos, fora os juros elevados.” Segundo ele, com um câmbio defasado em 80%, como o País experimentou por anos, “não há proteção tarifária que compense”.

A questão do câmbio e de uma reforma da política tarifária são assuntos discutidos no documento elaborado pelo Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP) e pelo Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes). O estudo aposta em uma economia mais aberta e menos protecionista para estimular o investimento e a produtividade.

Para o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale, abrir o mercado agora, com redução do imposto de importação, por exemplo, traria incertezas e por isso não é visto com bons olhos pela entidade. “O que a gente precisa é trabalhar com previsibilidade”, diz. “Mudar a regra no meio do jogo é o que existe de pior.” Tadini diz que não é contra a abertura comercial, mas afirma ser preciso aprimorar mecanismos de incentivo à indústria. “Utilizar países desenvolvidos como exemplos de correlação entre abertura econômica e dinamismo não constitui um modelo para países de renda média como o Brasil”, diz, apontando que não se pode abrir de uma vez a economia. “Se partirmos para a abertura plena, será a pá de cal da indústria.”

O diretor de políticas e estratégia da CNI, José Augusto Fernandes, argumenta ainda que a baixa produtividade da indústria brasileira se dá por motivos alheios ao setor, como a péssima infraestrutura, a baixa qualificação da mão de obra e até a corrupção em empresas estatais.

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