Para industriais, decisão do Copom superestima alta da inflação

CNI pede para que o ciclo de elevação dos juros seja o mais breve possível; Fiesp acha que o Banco Central agiu pressionado pelo mercado financeiro

Agência Estado,

28 de abril de 2010 | 20h28

O aumento da taxa de juros, anunciado há pouco pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, não se justifica, segundo avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI). "A decisão superestima a alta da inflação, que permanece dentro da meta, e pode ter efeitos negativos mais permanentes sobre a produção", afirma o presidente entidade, Armando Monteiro Neto, segundo nota distribuída pela CNI.

 

A avaliação de Monteiro Neto é de que o aumento de 0,75 ponto porcentual nos juros terá efeito limitado no controle das atuais pressões inflacionárias, que são provocadas pelos preços dos alimentos. "A elevação dos juros não surtirá efeito nesse componente, porque os aumentos desses preços se devem a fatores externos", disse.

 

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também divulgou nota criticando a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a Selic. Para a Fiesp, o Banco Central agiu pressionado pelo mercado financeiro. "A pressão que vem sendo exercida sobre o Banco Central (BC), por parte dos interessados no aumento da taxa Selic, atingiu níveis ainda não conhecidos na sua atual gestão", diz a nota. "Até a competência e a autonomia dessa respeitada instituição correm o risco de ser colocadas em dúvida."

 

Para Monteiro Neto, o País precisa criar condições para que o ciclo de elevação dos juros, iniciado hoje, seja o mais breve e o menos intenso possível. "É imprescindível coordenar as políticas monetária e fiscal, de forma a enquadrar a meta de inflação sem maiores danos ao setor produtivo e ao investimento privado", disse.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.